Dólar sobe e volta a R$4 por aversão a risco no exterior, mas atuação do BC limita o avanço

segunda-feira, 28 de setembro de 2015 11:36 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subia e voltava a 4 reais nesta segunda-feira, refletindo o ambiente de aversão a risco nos mercados externos, mas a forte presença do Banco Central no mercado, aliada à ação do Tesouro Nacional no mercado de títulos, limitava a alta.

Às 10:28, o dólar avançava 0,81 por cento, a 4,0080 reais na venda. A moeda norte-americana chegou a renovar durante a semana passada o recorde intradia, a quase 4,25 reais, mas anulou praticamente todo esse avanço nos dias seguintes, terminando a semana com alta de apenas 0,44 por cento e abaixo de 4 reais.

Na máxima desta sessão, o dólar chegou a 4,0150 reais, alta de cerca de 1 por cento.

Analistas do Scotiabank ressaltaram, em nota a clientes, que os mercados financeiros adotavam uma "mentalidade defensiva" nesta sessão, no início de uma semana marcada por declarações de uma série de autoridades do Federal Reserve, banco central norte-americano, bem como a divulgação dos dados de mercado de trabalho da maior economia do mundo na sexta-feira.

Pesavam ainda preocupações com o crescimento econômico mundial, especialmente em relação à China e economias emergentes, que vêm reduzindo o apetite por ativos de risco. Esse movimento, que ganhou combustível nesta sessão com o tombo das bolsas europeias, levava o dólar a fortalecer contra as principais moedas emergentes, como os pesos chileno e mexicano.

No cenário doméstico, operadores mantinham os olhos grudados na estratégia de atuação do BC e do Tesouro Nacional, que na semana passada interrompeu uma espiral negativa de pressão cambial. Só nas três últimas sessões, o BC atuou dez vezes --incluindo leilões de swaps para rolagem--, mas nunca no mercado à vista vendendo dólares das reservas internacionais.

No fim de semana, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo está "extremamente" preocupado com a alta do dólar por conta de empresas endividadas na moeda norte-americana, mas afirmou que as reservas internacionais do país impedem que haja uma "disruptura" por conta do câmbio.

Operadores não descartavam, no entanto, a possibilidade de novas ondas de volatilidade no câmbio.

"De um lado, há a leitura de que a fala de Dilma coloca em sintonia o Planalto com o BC e o Tesouro Nacional... De outro, o discurso da presidente poderá abrir a possibilidade de o mercado testar o BC, uma vez que os investidores especulariam qual o ponto em que a autoridade monetária iniciaria o uso das reservas", disse o operador de uma corretora nacional, sob condição de anonimato.   Continuação...

 
Notas de dois reais e nota de dólar, em fotografia ilustrativa tirada em São Paulo.  22/09/2015  REUTERS/Paulo Whitaker