Evans duvida que inflação esteja acelerando; pede paciência sobre alta de juros do Fed

segunda-feira, 28 de setembro de 2015 15:01 BRT
 

Por Jonathan Allen

MILWAUKEE, EUA (Reuters) - O Federal Reserve, banco central norte-americano, deveria deixar os juros perto de zero por mais tempo do que o planejado e adotar uma "postura extra paciente" para conduzir o aperto monetário, devido ao risco de que a inflação não se recupere tão rapidamente quanto o esperado, disse nesta segunda-feira o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans.

Defendendo a ala "dovish" do Fed, Evans citou o que chamou de "custos substanciais" de elevar prematuramente os juros, incluindo para a credibilidade do banco central. Ele sugeriu que pode demorar até meados de 2016 para ver evidência de pressão inflacionária suficiente para dar início à alta de juros.

Após quase sete anos de juros perto de zero, projeções mostram que a maioria dos 17 membros do Fed espera começar a apertar a política monetária ainda neste ano, incluindo a chair, Janet Yellen. Evans, que se mostrou influente na formulação da política monetária após a crise econômica, está entre os três que querem esperar até o ano que vem.

Um "aumento de juros mais tardio e uma postura subsequente gradual para a normalização da política monetária posicionam melhor a economia para possíveis desafios à frente", disse ele na Marquette University.

Embora o Fed tenha dito que quer estar "razoavelmente confiante" de que a inflação vai subir dos atuais 1,3 por cento para a meta de 2 por cento, Evans disse que precisa ser convencido por "alguma evidência de verdadeiro ímpeto na inflação".

"Pode ser apenas em meados do ano que vem que os obstáculos provenientes de preços mais baixos de energia e da alta do dólar se dissipem o suficiente para que vejamos algum movimento sustentado para cima do núcleo da inflação", afirmou ele, no texto de seu discurso.