Dólar salta mais de 3%, maior avanço em 4 anos, e volta a R$4,10, com mercado testando o BC

segunda-feira, 28 de setembro de 2015 19:04 BRT
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar saltou mais de 3 por cento nesta segunda-feira e voltou ao patamar de 4,10 reais, com o mercado pressionando o Banco Central após reforçar a atuação no mercado de câmbio e diante do quadro de aversão a risco nas praças internacionais, além de preocupações com a possibilidade de novos rebaixamentos da classificação de risco do Brasil.

O dólar avançou 3,37 por cento, a 4,1095 reais na venda, maior alta desde 21 de setembro de 2011 (+3,75 por cento).

Na quinta-feira passada, a moeda norte-americana chegou a renovar o recorde intradia, a quase 4,25 reais, mas anulou praticamente todo esse avanço, terminando a semana com alta de apenas 0,44 por cento e abaixo de 4 reais, após o BC ter elevado suas ações no mercado de câmbio.

"O mercado está peitando o BC. Não tem refresco", disse o operador da corretora de um importante banco nacional, sob condição de anonimato.

Só nas três sessões anteriores, o BC atuou dez vezes --incluindo leilões de swaps para rolagem--, mas nunca vendendo dólares das reservas internacionais no mercado à vista.

Neste pregão, a autoridade monetária apenas deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais, que equivalem a venda futura de dólares, que vencem em outubro. O BC vendeu a oferta total de até 9,45 mil contratos e, com isso, rolou 8,504 bilhões de dólares, ou cerca de 90 por cento do lote total, correspondente a 9,458 bilhões de dólares.

A atuação do BC tem vindo em conjunção com o Tesouro Nacional, que anunciou programa de leilões diários de venda e compra de títulos públicos. Na operação desta sessão, no entanto, não vendeu nem comprou papéis, impulsionando os juros futuros a uma forte alta.

No fim de semana, a presidente Dilma Rousseff afirmou que o governo está "extremamente" preocupado com a alta do dólar por conta de empresas endividadas na moeda norte-americana, mas afirmou que as reservas internacionais do país impedem que haja uma "disruptura" por conta do câmbio.   Continuação...

 
Homem tira foto de quadro com cotações de moedas em loja de câmbio em São Paulo. 24/9/2015 REUTERS/Nacho Doce