Levy defende ajuste fiscal para juros voltarem a cair

terça-feira, 29 de setembro de 2015 11:06 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, defendeu nesta terça-feira o ajuste fiscal em curso como a condição para os juros voltarem a cair, o crédito voltar a crescer de forma mais consistente e colocar o país em roda de expansão novamente.

"Na hora que esse risco (fiscal) é retirado, a economia relaxa, todo mundo quer ver a taxa de juros cair. Não há dúvida nenhuma: enquanto não acertar o fiscal, é muito difícil a taxa de juros cair", disse Levy durante evento em São Paulo, acrescentando ainda que há a necessidade de o país já tocar reformas estruturais para garantir a oferta quando a demanda voltar a crescer.

O governo preparou diversas medidas de ajustes fiscais, sobretudo mirando 2016, com cortes de gastos e aumentos de impostos para tentar garantir superávit primário em meio à economia em recessão e inflação elevada. Hoje, a taxa básica de juros no Brasil está em 14,25 por cento ao ano, uma das mais altas do mundo.

"O ajuste (fiscal) não existe pelo ajuste. Não adianta tentar criar cisão em volta do ajuste. Ele é um elemento de uma estratégia muito clara", afirmou ele.

Nessa estratégia, estão as reformas estruturais, como a da Previdência, que servirão para dar suporte para o crescimento da economia. Levy disse ainda que é preciso dar atenção para a oferta na economia. "Se as empresas não tiverem capacidade para responder à nova demanda, teremos inflação", afirmou ele.

"Temos dificuldades e incertezas, mas o maior risco é a procura por soluções fáceis", disse o ministro.

Levy também disse que a Petrobras está tomando as medidas certas, com corte de despesas e realismo.

Do lado externo, Levy citou as incertezas com China e o ajuste na política monetária nos Estados Unidos, mas argumentou que o Brasil está preparado para enfrentar esses cenários.

"Combinação de choques externos e incerteza política tem custo alto", afirmou ele.

(Reportagem de Marcelo Teixeira)

 
Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, durante evento no Palácio do Planalto, em Brasília.  14/09/2015   REUTERS/Ueslei Marcelino