Companhias aéreas pedem apoio do governo federal para enfrentarem demanda em queda e dólar em alta

terça-feira, 29 de setembro de 2015 17:08 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - O setor aéreo brasileiro anunciou nesta terça-feira ter pedido apoio ao governo federal para aliviar seus custos diante de um cenário de aprofundamento do déficit de caixa das empresas devido à desaceleração da demanda por voos e ao forte aumento dos gastos por conta da disparada do dólar.

O presidente da associação que representa o setor, Abear, Eduardo Sanovicz, disse que um pacote com seis propostas foi apresentado na semana passada ao ministro da Aviação, Eliseu Padilha, e será exibido na quinta-feira ao ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Segundo ele, as medidas teriam o potencial de reduzir os custos das empresas em até 6 bilhões de reais a partir de sua implementação.

O pacote inclui a proposta de que o Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac) assuma por 18 meses as tarifas aeroportuárias e de navegação do setor, além de pedido pela eliminação do ICMS sobre o querosene de aviação e precificação do combustível em linha com o mercado internacional, entre outras.

A associação prevê um déficit de caixa do setor em 2015 de 7,3 bilhões de reais, com os custos disparando 24 por cento sobre 2014 e as receitas avançando apenas 3,7 por cento. Em 2016, a previsão é de que esse déficit chegue a 11,4 bilhões de reais com o dólar a 3,88 reais e 12,1 bilhões de reais com o dólar a 4,44 reais.

A Abear tem TAM, Gol, Azul e Avianca como associadas.

Sanovicz apontou que o setor vem sendo fortemente afetado pela valorização acentuada do dólar ante o real, que eleva o preço do combustível de aviação, e pela oneração com tarifas de conexão, aeroportuárias e da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A reoneração da folha de pagamento e a conjuntura recessiva da economia, que dificulta o repasse do aumento dos custos aos clientes na forma de passagens mais caras, têm agravado esse quadro.

"Se esse cenário não for enfrentado, as pessoas vão voltar a andar de ônibus. As três maiores empresas anunciaram nos últimos 35 dias, cada uma de uma forma, redução de oferta", disse Sanovicz. "O que está em risco sob esse cenário é o tamanho do mercado que o país construiu. O plano B é voltar para trás para manter o sistema de pé."

Ele afirmou não saber se o governo federal acatará o pedido diante do quadro atual de ajuste fiscal, mas que a Abear está fazendo sua parte.   Continuação...

 
Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. 15/12/2014. REUTERS/Pilar Olivares (BRAZIL - Tags: BUSINESS TRANSPORT)