Mercado espera calote de até 90% em liquidação de contratos de energia na CCEE

terça-feira, 29 de setembro de 2015 17:49 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Operadores do mercado de eletricidade brasileiro estão apreensivos com a próxima liquidação de contratos na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que acontece em 14 e 15 de outubro, com expectativa de que a inadimplência possa alcançar até 90 por cento dos cerca de 5 bilhões de reais envolvidos na operação.

O temor deve-se a uma guerra judicial em torno de um déficit de geração registrado pelas hidrelétricas nos últimos dois anos, devido à seca, que levou a dezenas de liminares que protegem empresas de fazer pagamentos nas liquidações da CCEE.

A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) acreditava que resolveria a questão do déficit hídrico antes da próxima liquidação da CCEE, evitando uma nova elevada inadimplência motivada pelas liminares, mas as empresas do setor relutam em aceitar o acordo proposto e com isso mantêm as ações judiciais.

"A expectativa é de que, em função dessas liminares, a inadimplência seja bastante alta, beirando os 80 por cento, 90 por cento... e se você tiver uma inadimplência desse tamanho, quem tem crédito a receber não vai receber", afirmou à Reuters o presidente da comercializadora de energia Comerc, Cristopher Vlavianos.

"Chutaria cerca de 80 por cento de não aporte (dos valores cobrados pela CCEE), dos quais uma boa parte coberto por liminar. Mas já ouvi gente falando em mais de 95 por cento, mais de 90 por cento... tem muita liminar que foi concedida ontem, hoje, então é difícil a gente saber", afirmou o presidente da comercializadora América Energia, Andrew Frank.

O executivo da América lembrou que as empresas que costumam ter mais créditos a receber nas liquidações da CCEE são as que operam termelétricas, como a estatal Petrobras, cujas térmicas são acionadas para compensar a geração hídrica abaixo do contratado.

As regras das liquidações financeiras da CCEE, nas quais as empresas devem quitar diferenças entre seus contratos de energia e o total produzido ou consumido, preveem que eventuais inadimplências sejam pagas por outras empresas do mercado, como em um condomínio, o que levou a uma corrida em busca de liminares contra o rateio de débitos.

"Entre os agentes que ficaram sem liminar, há o caso de uma empresa que vai ter que pagar um valor quase 30 vezes maior do que deveria originalmente", disse Frank.   Continuação...