ENTREVISTA-Com descobertas promissoras, petroleira Barra Energia vê crise como passageira

terça-feira, 29 de setembro de 2015 18:32 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A petroleira brasileira Barra Energia vê a atual "turbulência econômica" do Brasil e do setor de petróleo como parte do risco do próprio negócio e aposta no retorno de investimentos aportados em áreas promissoras como Carcará, no pré-sal da Bacia de Santos, com confirmação de descoberta de petróleo de boa qualidade reportada na segunda-feira.

Os investidores da Barra Energia, controlada pelos fundos de private equity First Reserve e Riverstone Holdings, têm um compromisso de aportar até 1,2 bilhão de dólares na petroleira, dos quais cerca de 700 milhões de dólares já foram investidos desde 2010, recursos que dão garantias para a empresa atravessar o período de crise econômica e de preços baixos do petróleo enquanto ainda não está produzindo.

"Obviamente estamos passando por uma turbulência econômica e temos que monitorar, mas esse é um projeto de longo prazo", disse à Reuters o diretor-executivo da companhia, Renato Bertani, que defende que volatilidades são inevitáveis em uma indústria global como a de petróleo e gás natural.

Do montante total de investimento previsto, First Reserve tem compromisso de investir 500 milhões, mesmo montante esperado de Riverstone, enquanto outros fundos responderão pelo restante.

Segundo Bertani, com os atuais recursos financeiros, a companhia não terá problemas de liquidez até pelo menos 2018, para quando está prevista a Declaração de Comercialidade de Carcará.

A Barra tem 10 por cento de participação em Carcará, cujo sócio majoritário é Petrobras, com 66 por cento --a Petrogal detém outros 14 por cento, e a QGEP, 10 por cento.

O consórcio detentor dos direitos de Carcará anunciou na segunda-feira a confirmação da extensão da descoberta de petróleo leve da área, em sua terceira perfuração no prospecto, a 5,5 km a noroeste do poço descobridor.

Com 31 graus API, o poço constatou uma "expressiva coluna de 318 metros de óleo" abaixo da camada de sal --quanto maior o grau da escala API, mais leve e valioso é o petróleo; o grau API médio no Brasil em julho foi de 24,9.   Continuação...