Barbosa defende volta da CPMF e reconhece que medida requer grande esforço político

terça-feira, 29 de setembro de 2015 18:45 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, defendeu nesta terça-feira a recriação da CPMF como melhor alternativa para um reforço na arrecadação, classificando o resgate da contribuição sobre movimentações financeiras como uma proposta corajosa do governo diante da visível deterioração da arrecadação.

Segundo Barbosa, a CPMF tem menor impacto sobre a atividade econômica e sobre os preços domésticos, ao passo que um ajuste na Cide sobre combustíveis "poderia jogar a inflação novamente para cima num momento em que esses esforços (para conter a alta de preços) começam a dar frutos".

Em audiência na Comissão Mista de Orçamento (CMO) que durou quase três horas, o ministro reconheceu que a aprovação da CPMF pelos parlamentares requer um grande esforço político, mas acrescentou que essa é uma medida "necessária e melhor que as alternativas", além de "menos distorciva".

Completou ainda que a medida representa o plano "A, B, C e D" do governo para impulsionar suas receitas.

O governo tenta reviver a cobrança da contribuição para recolher 32 bilhões de reais e conseguir atingir um superávit primário equivalente a 0,7 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016, perspectiva que vem sendo dificultada pela economia em recessão.

Barbosa disse que quando o Executivo enviou a proposta orçamentária para 2016 prevendo um inédito déficit primário, a discussão sobre a CPMF não era consensual no governo. A investida culminou com a perda do selo de bom pagador pelo Brasil pela agência de classificação de risco Standard & Poor's, turbinando a volatilidade nos mercados e a alta do dólar.

Questionado sobre estes desdobramentos recentes, Barbosa disse que ninguém está confortável com o rebaixamento do rating ou com a perspectiva de déficit nas contas públicas.

"Estamos trabalhando dia sim e outro também para reverter isso", afirmou ele, após ressaltar diversas vezes durante sua participação que a busca pelo reequilíbrio fiscal é fundamental para estabilização da taxa de câmbio e de juros.

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