Preços na zona do euro passam a cair, colocando pressão sobre o BCE

quarta-feira, 30 de setembro de 2015 09:13 BRT
 

Por Jan Strupczewski e Balazs Koranyi

BRUXELAS/FRANKFURT (Reuters) - Os preços ao consumidor na zona do euro voltaram a cair em setembro devido ao petróleo, aumentando a pressão sobre o Banco Central Europeu (BCE) para aumentar suas compras de ativos e elevar os preços.

Os preços caíram 0,1 por cento na base anual, a primeira vez que vão abaixo de zero desde março, contra expectativas de analistas de estabilidade após aumento de 0,1 por cento em agosto.

O BCE está comprando 60 bilhões de euros em ativos por mês para elevar os preços, mas tem dito que pode ter que aumentar ou prorrogar o esquema de "quantitative easing" já que a inflação pode ficar aquém de sua meta de quase 2 por cento mesmo em 2017.

As expectativas de inflação de longo prazo caíram ao nível mais baixo desde fevereiro, antes de começarem as compras de ativos do BCE, à medida que a desaceleração econômica da China, a queda das commodities e o crescimento fraco de empréstimos na zona do euro reforçam as previsões pessimistas.

Embora muitos dos fatores que afetam a inflação estejam fora do controle do BCE, como a queda nos preços do petróleo, alguns economistas argumentam que qualquer afrouxamento no compromisso do BCE de cumprir suas metas afeta a credibilidade do banco.

O presidente do BCE, Mario Draghi, destacou na semana passada que o banco está pronto para agir e tem bastante flexibilidade em relação à escala, composição e duração de suas compras de ativos.

Os membros do BCE podem argumentar que precisam de mais tempo para avaliar a inflação e o cenário de crescimento, talvez até que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, finalmente se comprometa com sua primeira alta de juros em quase uma década e a equipe do BCE apresente novas projeções econômicas em dezembro.

Excluindo os voláteis preços da energia, a inflação está em 1 por cento, um número mais respeitável, enquanto a inflação de serviços está em 1,3 por cento.

 
Escultura do logo do euro em frente ex-sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt.  08/07/2015   REUTERS/Ralph Orlowski