Vendas de combustíveis devem recuar ainda mais após reajuste dos preços

quarta-feira, 30 de setembro de 2015 12:07 BRT
 

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O reajuste dos preços da gasolina e do diesel nas refinarias da Petrobras, que valem a partir desta quarta-feira, deverá retrair ainda mais a fraca demanda por combustíveis no Brasil em 2015, após anos de forte crescimento bem acima da inflação, na avaliação de especialistas ouvidos pela Reuters.

A Petrobras elevou os preços da gasolina em 6 por cento e os do diesel em 4 por cento, segundo anúncio feito na noite de terça-feira. O impacto na bomba deverá ser mais sentido para os consumidores de gasolina, cuja alta é projetada pela Fundação Getúlio Vargas em torno de 4 por cento.

O reajuste ocorre num momento de queda nas vendas totais de combustíveis no Brasil, de 0,3 por cento no acumulado do ano até agosto, com o consumo do diesel e da gasolina caindo mais, segundo os últimos dados publicados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

"O mercado (de combustíveis) já está caindo, é possível que se retraia um pouco mais... O consumidor é sempre reativo ao aumento de preços", afirmou à Reuters o superintendente de Abastecimento da ANP, Aurélio Amaral.

Entretanto, o impacto na demanda dos combustíveis como um todo poderá ser atenuado pela migração dos consumidores da gasolina para o etanol, que vem apresentando forte crescimento da competitividade e nas vendas neste ano, segundo Amaral e o sindicado das distribuidoras de combustíveis (Sindicom).

"Não acredito que a alta dos preços terá um impacto muito grande na demanda por combustíveis do ciclo Otto (que inclui gasolina e etanol)", afirmou o diretor de mercado do Sindicom, César Guimarães. O Sindicom representa aproximadamente 80 por cento do mercado de combustíveis no Brasil.

As vendas de todos os combustíveis neste ano estão sendo fortemente sustentadas pelo desempenho do etanol hidratado, que registrou aumento das vendas de 48,2 por cento em agosto ante o mesmo mês de 2014 e acumula avanço de 41,4 por cento nos primeiros oito meses deste ano ante o mesmo período de 2014.

Com isso, as vendas de gasolina C (vendida nos postos de combustíveis já com a adição de etanol anidro) caíram 11,2 por cento em agosto em relação ao mesmo mês do ano passado e já acumulam recuo de 5,9 por cento nos primeiros oito meses do ano.   Continuação...