Ritmo de contração da indústria do Brasil diminui em setembro, aponta PMI

quinta-feira, 1 de outubro de 2015 10:50 BRT
 

Por Camila Moreira

SÃO PAULO - O ritmo de queda da atividade industrial do Brasil diminuiu em setembro, porém o setor permaneceu em território de contração pelo oitavo mês seguido em meio a uma produção menor e cortes de empregos, apontou o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês).

O Markit informou nesta quinta-feira que o PMI da indústria brasileira subiu a 47,0 em setembro ante 45,8 em agosto, mas apesar de ter deixado para trás o menor nível desde setembro de 2011 permaneceu abaixo da marca de 50 que indica contração pela oitava vez seguida.

A nova retração vista em setembro decorreu de mais uma queda nas entradas de novos pedidos, o que voltou a provocar retração da produção. Ainda que as taxas de contração tenham diminuído, o Markit as considerou "acentuadas".

"... o cenário ainda parece nublado já que questões domésticas sugerem que a economia do país não vai virar no futuro próximo", destacou a economista do Markit Pollyanna De Lima.

O volume de produção diminuiu nos três subsetores acompanhados, com destaque para as empresas de bens intermediários.

Diante da instabilidade econômica e das pressões competitivas, foi o mercado interno a principal fonte de fraqueza nos novos pedidos, dado que o volume proveniente do exterior ficou inalterado em relação a agosto após cinco meses de quedas.

A fraqueza do setor provocou novos cortes de empregos em setembro, devido à tentativa de contenção de despesas pelas empresas.

A pressão inflacionária nos custos de insumos também se arrefeceu em setembro, mas a depreciação do real foi considerada o motivo da alta dos preços, sendo que os custos adicionais foram repassados aos clientes.

A indústria vem exercendo forte pressão para baixo na economia brasileira, reforçando o cenário de recessão pela qual passa o país, com inflação e juros elevados.

Na pesquisa Focus do Banco Central, a expectativa é de que o setor tenha contração de 6,65 por cento neste ano, e os especialistas consultados já passaram também a ver retração em 2016, de 0,60 por cento.

 
Funcionário em fábrica automotiva em São Bernardo do Campo, em São Paulo.  13/08/2013    REUTERS/Nacho Doce