Lava Jato e endividamento em dólar pedem "atenção especial" para o sistema financeiro, diz BC

quinta-feira, 1 de outubro de 2015 11:20 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central informou que a recuperação judicial de empresas como as citadas na operação Lava Jato e o endividamento das companhias em moeda estrangeira são exemplos de situações que demandam "atenção especial" quanto à capacidade de o sistema bancário suportar cenários adversos.

No Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta quinta-feira, o BC afirmou ainda que os principais riscos para o crédito e a inadimplência são os efeitos de eventual deterioração mais significativa dos ambientes econômicos, interno e externo, gerando pressões adicionais sobre emprego e renda das famílias e sobre custos e receitas das empresas.

"Novos requerimentos de recuperação judicial de empresas como as envolvidas na operação Lava Jato e o endividamento das empresas em moeda estrangeira são exemplos de situações que demandam atenção especial", trouxe o documento, acrescentando que no caso desse endividamento, "ressalte-se o efeito mitigador de riscos proporcionado pela existência em larga escala de hedge operacional e financeiro".

No semestre passado, o dólar registrou valorização de 16,93 por cento. Diante da escalada das incertezas políticas e fiscais, a divisa norte-americana saltou mais 27,55 por cento sobre o real de julho até a véspera, acumulando no ano alta de cerca de 50 por cento e chegando a ultrapassar a barreira dos 4 reais, nova máxima histórica.

Olhando para a primeira metade do ano, o BC informou que uma análise mais profunda mostra "riscos controlados" na perspectiva agregada do sistema financeiro nacional.

Segundo o BC, o grupo de devedores que não possui proteção cambial "relevante e conhecida" é restrito, com a exposição em moeda estrangeira subindo de 3,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 2014 para 3,3 por cento em junho.

No geral, o BC avaliou que o risco de liquidez de curto prazo do sistema financeiro apresentou aumento no último semestre, mas ainda permaneceu em "nível confortável".

Apesar de ressaltar as mudanças no cenário, a autoridade monetária informou que o sistema bancário seguiu mostrando adequada capacidade de suportar choques de cenários adversos em testes de estresse, incluindo mudanças abruptas no câmbio e na taxa de juros.

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Sede do Banco Central, em Brasília.  23/09/2015   REUTERS/Ueslei Marcelino