Lava Jato e endividamento em dólar pedem "atenção especial" para o sistema financeiro, diz BC

quinta-feira, 1 de outubro de 2015 13:43 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central informou que a recuperação judicial de empresas como as citadas na operação Lava Jato e o endividamento das companhias em moeda estrangeira são exemplos de situações que demandam "atenção especial" quanto à capacidade de o sistema bancário suportar cenários adversos.

No Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta quinta-feira, o BC afirmou ainda que os principais riscos para o crédito e a inadimplência são os efeitos de eventual deterioração mais significativa dos ambientes econômicos, interno e externo, gerando pressões adicionais sobre emprego e renda das famílias e sobre custos e receitas das empresas.

"Novos requerimentos de recuperação judicial de empresas como as envolvidas na operação Lava Jato e o endividamento das empresas em moeda estrangeira são exemplos de situações que demandam atenção especial", trouxe o documento.

Em entrevista à imprensa, o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, reforçou que a elevação da dívida das companhias em moeda estrangeira é tema que o BC "tem olhado com muita atenção", ressalvando, contudo, que uma parte significativa das empresas tem hedge financeiro ou natural --nesse caso, por serem exportadoras ou por possuírem ativos ou matriz no exterior.

No semestre passado, o dólar registrou valorização de 16,93 por cento. Diante da escalada das incertezas políticas e fiscais, a divisa norte-americana saltou mais 27,55 por cento sobre o real de julho até a véspera, acumulando no ano alta de cerca de 50 por cento e chegando a ultrapassar a barreira dos 4 reais, nova máxima histórica.

Olhando para a primeira metade do ano, o BC informou que uma análise mais profunda mostra "riscos controlados" na perspectiva agregada do sistema financeiro nacional.

Segundo o BC, o grupo de devedores que não possui proteção cambial "relevante e conhecida" é restrito, com a exposição em moeda estrangeira subindo de 3,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 2014 para 3,3 por cento em junho.

"Isso nos dá um conforto para esse assunto do crescimento do endividamento de pessoa jurídica no exterior", disse Meirelles.   Continuação...