1 de Outubro de 2015 / às 16:48 / em 2 anos

Lava Jato e endividamento em dólar pedem "atenção especial" para o sistema financeiro, diz BC

Sede do Banco Central, em Brasília. 23/09/2015 REUTERS/Ueslei Marcelino

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central informou que a recuperação judicial de empresas como as citadas na operação Lava Jato e o endividamento das companhias em moeda estrangeira são exemplos de situações que demandam “atenção especial” quanto à capacidade de o sistema bancário suportar cenários adversos.

No Relatório de Estabilidade Financeira divulgado nesta quinta-feira, o BC afirmou ainda que os principais riscos para o crédito e a inadimplência são os efeitos de eventual deterioração mais significativa dos ambientes econômicos, interno e externo, gerando pressões adicionais sobre emprego e renda das famílias e sobre custos e receitas das empresas.

“Novos requerimentos de recuperação judicial de empresas como as envolvidas na operação Lava Jato e o endividamento das empresas em moeda estrangeira são exemplos de situações que demandam atenção especial”, trouxe o documento.

Em entrevista à imprensa, o diretor de Fiscalização do BC, Anthero Meirelles, reforçou que a elevação da dívida das companhias em moeda estrangeira é tema que o BC “tem olhado com muita atenção”, ressalvando, contudo, que uma parte significativa das empresas tem hedge financeiro ou natural --nesse caso, por serem exportadoras ou por possuírem ativos ou matriz no exterior.

No semestre passado, o dólar registrou valorização de 16,93 por cento. Diante da escalada das incertezas políticas e fiscais, a divisa norte-americana saltou mais 27,55 por cento sobre o real de julho até a véspera, acumulando no ano alta de cerca de 50 por cento e chegando a ultrapassar a barreira dos 4 reais, nova máxima histórica.

Olhando para a primeira metade do ano, o BC informou que uma análise mais profunda mostra “riscos controlados” na perspectiva agregada do sistema financeiro nacional.

Segundo o BC, o grupo de devedores que não possui proteção cambial “relevante e conhecida” é restrito, com a exposição em moeda estrangeira subindo de 3,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 2014 para 3,3 por cento em junho.

“Isso nos dá um conforto para esse assunto do crescimento do endividamento de pessoa jurídica no exterior”, disse Meirelles.

No geral, o BC avaliou que o risco de liquidez de curto prazo do sistema financeiro apresentou aumento no último semestre, mas ainda permaneceu em “nível confortável”.

Apesar de ressaltar as mudanças no cenário, a autoridade monetária informou que o sistema bancário seguiu mostrando adequada capacidade de suportar choques de cenários adversos em testes de estresse, incluindo mudanças abruptas no câmbio e na taxa de juros.

Para o segundo semestre, Meirelles disse enxergar pressão de inadimplência no país, mas ainda assim a um patamar considerado confortável. Ele apontou ainda a existência de provisões “bastante satisfatórias”, capazes de suportar esse movimento.

LAVA JATO

Em um box específico dentro do relatório, o BC argumentou que eventual calote de todas as empresas citadas na operação Lava Jato, bem como seus respectivos grupos, rede de conexões e funcionários, iria gerar necessidade de capital para reenquadramento das instituições financeiras de 3,4 bilhões de reais, o que equivale a apenas 0,4 por cento do patrimônio de referência atual do sistema financeiro nacional.

Para o BC, isso indica alta resistência do sistema, com nenhuma instituição ficando insolvente nessa hipótese, mesmo sofrendo impactos na rentabilidade. O cálculo, entretanto, não considerou o default da Petrobras, que está no centro das investigações conduzidas pela Polícia Federal.

SWAPS

Questionado sobre a oferta de swaps pelo BC, Meirelles defendeu com ênfase o programa, apontando seu lastro nas reservas internacionais e, por isso, “credibilidade sob vários aspectos”.

Ele afirmou que o custo do programa é amplamente coberto pela valorização das reservas internacionais, sendo uma ferramenta importante para o país atravessar momento de ajustes.

“A proteção que tem sido fornecida tem permitido reduzir os riscos de descasamento de dívidas de empresas brasileiras tanto quanto de investidores aqui no Brasil”, completou Meirelles.

Por Marcela Ayres; Edição de Patrícia Duarte e Camila Moreira

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