Investidores em energia no Brasil já pedem retornos maiores, diz Santander

quinta-feira, 1 de outubro de 2015 15:36 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Os investidores em energia elétrica no Brasil já pedem retornos maiores devido à deterioração do cenário macroeconômico e riscos específicos, como uma perda bilionária de faturamento pelas hidrelétricas devido à seca dos últimos dois anos, afirmaram à Reuters especialistas em financiamento do Banco Santander.

Com isso, há uma expectativa de elevação de preço nos leilões para a contratação de novos empreendimentos de energia.

"Eu diria que é muito difícil você ver um investidor que resolva seguir em frente sem ter contemplado na tarifa um retorno que reflita uma participação menor do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e um pedaço das incertezas que estão no mercado agora", afirmou o chefe de Project Finance do Santander, Diogo Berger.

Parte da revisão de expectativas no setor se dá pela dificuldade que muitas empresas que venceram leilões de energia passados enfrentam hoje para fechar as contas de seus projetos, dado o forte aumento no custo de captação de recursos no mercado.

"Vários projetos que foram licitados tinham premissas diferentes das atuais e quem sofreu redução do retorno financeiro foi o investidor, que agora está mais calejado... eles vão pedir um retorno maior porque sabem que têm que ter um pouco de gordura para queimar, caso tenham questões futuras de financiamento ou outros fatores", disse o chefe de Energia da área de Project Finance do Santander, Edson Ogawa.

Debêntures incentivadas de infraestrutura, cuja emissão tem sido estimulada pelo BNDES junto aos empreendedores, são vistas como uma alternativa cara de financiamento, e ainda há dúvida sobre o nível de interesse do mercado nesses papéis, dado o elevado número de operações que devem ser lançadas.

A estimativa do Santander é de que cerca de 3,5 bilhões de reais em debêntures de infraestrutura sejam emitidas nos próximos anos apenas por usinas eólicas que venderam energia nos últimos leilões.

"Existe uma dúvida se há investidores suficientes para comprar papéis nessa ordem de grandeza. O fato é que é um produto relativamente novo", apontou Ogawa.

Ele também disse que, para algumas operações, o custo de captação de recursos via debêntures já seria maior que o retorno dos projetos.   Continuação...