2 de Outubro de 2015 / às 13:41 / em 2 anos

Financiamento para leilão de hidrelétricas existentes está difícil

SÃO PAULO (Reuters) - Os interessados em participar do leilão de hidrelétricas existentes agendado para 6 de novembro estão com dificuldades para fechar financiamentos, afirmaram à Reuters especialistas, o que pode colocar em risco os planos do governo federal de arrecadar 17 bilhões de reais com a cobrança de outorgas no certame.

"Grande parte dos investidores brasileiros está tendo essa dificuldade, tanto para novos empreendimentos quanto para essas usinas antigas que terão a concessão ofertada", disse o sócio do escritório de advocacia Demarest, Raphael Gomes.

O leilão acontece em um momento em que a economia brasileira enfrenta a maior recessão em décadas e as empresas de energia com maior participação em hidrelétricas lidam com bilhões em perda de faturamento devido à seca dos últimos dois anos.

"É a tempestade perfeita", afirmou um executivo do setor financeiro, que pediu para não ser identificado pois participa das negociações.

Segundo uma outra fonte do setor financeiro, a situação do país e das elétricas é "crítica", ao mesmo tempo em que o governo busca uma elevada arrecadação com a cobrança dos bônus.

"Há um grupo muito limitado de interessados e com um desafio gigantesco de levantar os recursos, especialmente pelo timing... o cronograma é muito apertado", disse a fonte.

O leilão inicialmente estava marcado para setembro, foi agendado para 30 de outubro posteriormente, e depois sofreu novo adiamento para 6 de novembro, com o governo buscando ganhar tempo para atender exigências do Tribunal de Contas da União (TCU), que precisa aprovar o edital da licitação.

De acordo com o segundo executivo, elétricas que disponham de capital próprio para entrar no leilão sem recorrer a financiamentos é algo "raro, para não dizer inexistente", e as empresas têm dificuldade em viabilizar a captação dos recursos a tempo do certame.

Para Gomes, do Demarest, as regras do leilão estão favoráveis à atração de investidores, e a abertura para empresas estrangeiras trouxe novos interessados, mas o momento não é o melhor para uma licitação desse porte.

"É como se te falassem de um grande negócio, mas naquele momento em que o banco já fechou e você não pode passar para pegar dinheiro", disse Gomes, para quem o cenário pode favorecer as empresas de fora.

No final de setembro, a elétrica mineira Cemig disse que considera empréstimos bancários ou a emissão de debêntures para se financiar para o leilão, enquanto a paulista Cesp afirmou que busca parceiros para se capitalizar.

Na quarta-feira a Chesf, do Grupo Eletrobras, afirmou que não deve disputar as hidrelétricas, revendo uma posição inicial de interesse na licitação.

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