EPE diz que leilão de hidrelétrica é bom negócio, mas vê crédito como limitador

sexta-feira, 2 de outubro de 2015 16:59 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O governo brasileiro está ciente das dificuldades manifestadas por empreendedores para levantar crédito para participar do leilão de hidrelétricas existentes previsto para o início do próximo mês, algo que pode ser um limitador para o número de participantes, de acordo com o presidente da estatal Empresa de Pesquisa Energético (EPE), Maurício Tolmasquim.

Mas acredita que o certame, com o qual o governo federal espera arrecadar 17 bilhões de reais com cobrança de outorgas, será bem-sucedido, apesar do momento econômico recessivo do país, pela atratividade dos ativos.

Dessa forma, Tolmasquim descartou a possibilidade de o leilão, previsto para 6 de novembro, ser novamente adiado em virtude das dificuldades conjunturais da economia brasileira.

O certame estava programado inicialmente para o mês de setembro, foi postergado para outubro e depois para novembro, com o argumento de que Tribunal de Contas da União (TCU) precisava aprovar o edital.

"O crédito é um limitador sim e temos que ir acompanhando e sondando o mercado para ver o quanto será o interesse", afirmou o presidente da EPE a jornalistas, após evento no Rio de Janeiro.

O interessados em participar do leilão de hidrelétricas existentes estão com dificuldades para fechar financiamentos, afirmaram à Reuters especialistas, o que pode colocar em risco os planos do governo federal.

"O leilão já foi adiado pensando nisso (na conjuntura), para dar um pouco mais de tempo para os agentes se organizarem e levantarem recursos", acrescentou Tolmasquim.

Mesmo ciente das dificuldades enfrentadas pelas empresas interessadas em participar do certame, Tolmasquim afirmou que o investimento nas usinas "velhas" é um bom negócio e de retorno garantido.

"Acho que mesmo assim vai acabar aparecendo interessados. Ter uma hidrelétrica já pronta e por 30 anos é algo bastante interessante", disse ele.   Continuação...