Energia é negociada com desconto recorde por temor de calote na CCEE, aponta mercado

sexta-feira, 2 de outubro de 2015 18:11 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O mercado livre de energia, no qual atuam grandes consumidores, como indústrias e centros comerciais, negocia contratos com desconto recorde devido ao temor de uma inadimplência também histórica na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), afirmaram à Reuters executivos de comercializadoras.

Quando há temor de calote elevado na CCEE, quem tem sobras de energia corre para fechar contratos de venda e não ficar com créditos na liquidação da câmara, uma vez que a inadimplência é descontada dos valores pagos às empresas que têm recursos a receber na operação.

O diretor de comercialização da Iguaçu Energia, Laudenir Pegorini, estimou que serão liquidados 5 bilhões de reais na próxima operação da CCEE, e disse os deságios frente ao preço spot, o PLD, estão em um nível jamais visto.

"É assustador. O mercado hoje está rodando com deságios de até 40 reais (por MWh) em relação ao Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). É quase 20 por cento (de desconto), é muito gritante", disse.

O sócio-diretor da comercializadora Federal Energia, Erick Azevedo, afirmou que já viu negociações fechadas com descontos de 30 reais frente ao PLD, um patamar que considera "inédito" no mercado.

A preocupação cresceu devido ao pessimismo do mercado quanto ao fim de uma guerra judicial em andamento no setor, com dezenas de empresas protegidas por liminar de quitar com as obrigações na próxima liquidação da CCEE, marcada para 14 e 15 de outubro.

Além disso, há temores de que a operação, referente a contratos de julho e agosto, seja suspensa --o que seria o terceiro adiamento consecutivo.

Procurado, o Ministério de Minas e Energia afirmou, em nota, que "acompanha o assunto com extremado rigor e, caso haja necessidade, a liquidação pode ser adiada, o que não está caracterizado neste momento".   Continuação...