Projeção para inflação em 2016 sobe a 5,94% com piora do cenário para administrados

segunda-feira, 5 de outubro de 2015 09:53 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - Economistas de instituições financeiras pioraram pela nona semana seguida a projeção para a inflação em 2016, aproximando-se de 6 por cento, com nova piora na perspectiva para os preços administrados, destacando a deterioração do cenário inflacionário no país.

A pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta segunda-feira mostrou que a projeção para a alta do IPCA em 2016 subiu em 0,07 ponto percentual, a 5,94 por cento, cada vez mais longe do objetivo do BC de levar a inflação para o centro da meta -- de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

O levantamento semanal com uma centena de economistas de instituições financeiras também mostrou que a expectativa para os preços administrados no ano que vem subiu a 6,0 por cento, contra 5,92 por cento na semana anterior.

Para a inflação neste ano, a projeção subiu também em 0,07 ponto percentual, a 9,53 por cento, com a alta dos administrados projetada em 15,55 por cento, contra 15,50 por cento na pesquisa anterior.

A piora das expectativas de inflação vem em linha com o fortaleciento do dólar, que vem sendo cotado em torno de 4 reais. No Focus, o dólar é projetado a 4,0 reais tanto no fim deste ano quanto no fim de 2016.

Para a taxa básica de juros Selic, a pesquisa apontou que a estimativa para o próximo ano permaneceu em 12,50 por cento, e para 2015 no patamar atual de 14,25 por cento.

Sobre a atividade econômica, a estimativa de contração do Produto Interno Bruto (PIB) em 2016 permaneceu em 1 por cento, mas a projeção de retração da indústria diminuiu para 0,29 por cento, contra queda de 0,60 por cento antes.

Para este ano, marcado por forte crise econômica e política que contamina a confiança de empresários e consumidores, a estimativa para o PIB piorou pela 12ª semana seguida, com contração esperada de 2,85 por cento, ante recuo de 2,80 por cento na pesquisa anterior.

Em agosto, a produção industrial mostrou forte queda dos investimentos e recuou 1,2 por cento sobre o mês anterior, no pior resultado para o mês em quatro anos.

(Por Camila Moreira)

 
Sede do Banco Central, em Brasília.  23/09/2015   REUTERS/Ueslei Marcelino