TCU mantém julgamento das contas do governo para 4a-feira

segunda-feira, 5 de outubro de 2015 20:35 BRT
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Tribunal de Contas da União (TCU) manteve o julgamento das contas do Executivo em 2014 marcado para quarta-feira mesmo após o governo ter pedido o afastamento do relator do caso, ministro Augusto Nardes, em investida que poderia fazer com que a apreciação do polêmico balanço anual fosse novamente adiada.

Em despacho publicado nesta segunda-feira o presidente do TCU, Aroldo Cedraz, encaminhou a Nardes e ao corregedor do tribunal, ministro Raimundo Carreiro, representação da Advocacia-Geral da União (AGU) protocolada mais cedo com a arguição de suspeição contra o relator das contas.

Com isso, ambos deverão se manifestar sobre o assunto na sessão marcada para quarta-feira, antes de os ministros efetivamente se debruçarem sobre os registros contábeis do Executivo no ano passado.

"A sessão está definida (para) quarta-feira", afirmou Nardes a jornalistas, após se reunir à noite com o presidente do TCU e outros quatro ministros da corte.

"Considero o momento importante para o tribunal, entendemos que algumas alegações (foram) levantadas muito mais para tirar o foco da questão principal. Nós estamos tranquilos porque cumprimos toda a regulamentação estabelecida", prosseguiu.

O pedido de afastamento do relator foi entregue mais cedo pelo advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, com o argumento de que Nardes já havia se posicionado a respeito do caso em diversas ocasiões, o que iria contra regras da magistratura. Em entrevistas, Nardes chegou a dizer que o julgamento seria histórico.

Até hoje, o TCU nunca pediu a rejeição das contas de um governo, limitando-se a aprová-las com ressalvas.

Nardes, por sua vez, disse a jornalistas que o relatório foi feito num âmbito "puramente técnico", após ter criticado fortemente o movimento da AGU mais cedo, em nota.   Continuação...

 
Ministro do TCU Augusto Nardes concede entrevista em Brasília à Reuters, em 30 de junho de 2015.  REUTERS/Adriano Machado