Produção de veículos no Brasil este ano deve recuar para nível de 2006

terça-feira, 6 de outubro de 2015 13:41 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria brasileira de veículos em 2015 deve retornar a níveis de atividade de 2006, segundo projeções apresentadas nesta terça-feira pela associação que representa o setor, Anfavea, em meio a um recuo do mercado interno de quase 30 por cento por conta das incertezas geradas pelas crises política e econômica que atingem o país.

O setor deve entregar este ano uma queda de 23,2 por cento na produção de veículos, a 2,418 milhões de unidades, nível próximo dos 2,4 milhões de 2006. Em vendas, o recuo esperado é de 27,4 por cento, a 2,54 milhões de unidades, nível não visto desde 2007, quando foram licenciados 2,462 milhões de veículos. A Anfavea esperava anteriormente quedas de 17,8 por cento na produção e de 20,6 por cento nas vendas.

Segundo o presidente da Anfavea, Luiz Moan, o ajuste de estoques do setor deve continuar nos próximos três meses por meio de "ajustes na produção". Na véspera, a General Motors informou que vai parar temporariamente o segundo turno de produção da fábrica em São Caetano do Sul (SP) entre esta semana e início de março do próximo ano e deixar funcionários com contratos suspensos.

"De janeiro a setembro retornamos ao nível de produção de 2006 e em termos de empregos estamos numa posição muito parecida com 2008, ainda", disse Moan ao ser questionado sobre a redução de pessoal ocupado pelo setor. Neste ano até setembro, o nível de emprego da indústria de veículos apresenta queda de 9,6 por cento sobre o mesmo período do ano passado, a 133.609 posições ocupadas.

O presidente da Anfavea afirmou ainda que o setor tem cerca de 33 mil funcionários, ou em vias de entrarem, no Programa de Proteção ao Emprego (PPE) lançado pelo governo federal, que impõe redução de salário e de jornada de trabalho. Além disso, outros 7.200 estão com contratos suspensos.

Apesar da queda de 42 por cento na produção de setembro sobre o mesmo mês de 2014, o nível de estoques da indústria continuou elevado, terminando o mês passado em 346,9 mil unidades, suficientes para 52 dias de vendas. Em agosto, o volume estocado era de 357,8 mil unidades.

Moan reafirmou que o setor espera celeridade na implementação do ajuste fiscal promovido pelo governo federal, para que as incertezas que cercam os consumidores e empresários se dissipe. Diante disso, a indústria de veículos não está pleitando reduções de impostos como corte do IPI.

"Estamos buscando medidas estruturantes para o setor, como a implementação de um plano de renovação de frota. O consumidor continua interessado em comprar, o índice de motorização do brasileiro é um dos mais baixos do mundo", disse Moan, voltando a citar que de 2012 a 2018 as montadoras planejam investimento de 80 bilhões de reais no país.

Segundo o presidente da Anfavea, a entidade espera para o final do segundo semestre do próximo ano uma recuperação nas vendas sobre este ano, diante da expectativa do setor de retomada da economia.   Continuação...

 
Carros novos estacionados em Taubaté, São Paulo.  30/03/2015  REUTERS/Roosevelt Cassio