Grau de investimento do Brasil depende de estabilização da economia em 2016, diz Moody's

terça-feira, 6 de outubro de 2015 13:07 BRT
 

Por Guillermo Parra-Bernal

SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil será capaz de manter sua classificação de grau de investimento se a economia melhorar no próximo ano e o governo construir uma política de consenso em torno de importantes medidas de austeridade, afirmou nesta terça-feira o analista da Moody's Investors Service Mauro Leos.

Segundo ele, o rating "Baa3" do Brasil, menor nível de grau de investimento, poderia ser reduzido para "junk" (grau especulativo) se a instabilidade política crescer mais e dificultar a capacidade de a presidente Dilma Rousseff entregar suas promessas fiscais e de crescimento.

A Moody's rebaixou o Brasil há quase dois meses, com perspectiva estável, o que sugere que o rating não mudará no curto prazo.

A pressão sobre a Moody's e a Fitch Ratings para rebaixarem o Brasil tem crescido após a Standard & Poor's retirar o selo internacional de bom pagador do país no mês passado.

Enquanto Leos diz que a perspectiva estável do Brasil incorpora a expectativa da Moody's de que a maior economia da América Latina vai começar a melhorar no segundo semestre de 2016, os economistas ainda não têm certeza sobre o calendário de recuperação econômica.

A maioria deles espera que a economia vai manter-se em recessão até 2016, segundo pesquisa semanal Focus do Banco Central.

A Moody's irá monitorar a capacidade da presidente Dilma de aprovar a legislação necessária para melhorar as finanças públicas no próximo ano, disse Leos, acrescentando que o aumento de impostos impopulares parece inevitável agora.

"A realidade agora é que tem que haver um componente de receita e que requer consenso político", disse Leos. "A falta de consenso que tem afetado a confiança dos empresários e percepções em geral."

A Moody's não tem data definida para rever a classificação do Brasil por conta da perspectiva estável, disse Leos, acrescentando que ele provavelmente irá esperar até que "as coisas fiquem mais claras" antes de tomar qualquer decisão.

 
Logo da agência de classificação de risco Moody's Investor Services visto em Paris.  24/10/2011  REUTERS/Philippe Wojazer