Ambiente adverso às companhias aéreas é "gerenciável", diz presidente da Anac

terça-feira, 6 de outubro de 2015 20:49 BRT
 

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Marcelo Guaranys, afirmou nesta terça-feira que o cenário desfavorável vivido pelas companhias aéreas é administrável e que o setor está reagindo por meio da redução da oferta.

Os custos do setor são dolarizados e a moeda norte-americana acumula valorização de cerca de 45 por cento ante o real apenas neste ano. Na semana passada, a associação que representa as maiores companhias aéreas do país, Abear, apresentou ao governo federal um pacote de propostas para ajudar o setor a reduzir custos em até 6 bilhões de reais.

"Acho que por enquanto esse ambiente adverso é gerenciável pelas empresas e não temos visto nada demais, mas é óbvio que (as empresas) estão corretas quando falam de custos", disse Guaranys em evento da Fundação Getúlio Vargas.

Segundo Guaranys, algumas demandas do setor são legítimas, como a queixa contra a disparidade entre as alíquotas de ICMS cobradas pelos Estados, que vai de 12 a 25 por cento. Porém, ele afirmou que as companhias estão conseguindo driblar as adversidades.

"O setor é muito suscetível à situação econômica e ao dólar. No passado, quando isso acontecia, as empresas não reagiam (...) Hoje elas reagem reduzindo custos e oferta", disse Guaranys.

Guaranys afirmou que a Anac espera redução no ritmo de crescimento da demanda aérea este ano e que a retomada deve se dar a partir de 2017, quando se espera uma recuperação da economia.

Ele disse ainda que o governo espera licitar no ano que vem mais quatro aeroportos para iniciativa privada: Salvador, Porto Alegre, Florianópolis e Fortaleza.

Os terminais estão previstos para serem licitados entre março e abril do próximo ano, mas dependendo da conjuntura econômica o certame pode ser empurrado para segundo semestre, disse Guaranys.

"Há vários interessados entre grupos nacionais e estrangeiros. Grupos financeiros, fundos de pensão, agentes do setor e fundos de investimento", afirmou.

(Por Rodrigo Viga Gaier)