Ausência de Petrobras e outras grandes petroleiras frustra leilão da ANP

quarta-feira, 7 de outubro de 2015 14:42 BRT
 

Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A 13ª Rodada de Licitação de áreas de petróleo e gás natural apresentou fraco interesse pelos ativos, negociando apenas 37 dos 266 blocos exploratórios ofertados, em um leilão tido pelo mercado como desafiador, considerando os preços mais baixos do petróleo e a crise da Petrobras.

Em seis das dez bacias licitadas não houve nenhuma oferta, incluindo áreas que são importantes produtoras de petróleo, como as bacias de Campos e do Espírito Santo.

Com a venda dos 37 blocos, o governo federal arrecadou apenas 121 milhões de reais em bônus de assinatura, ante 978,77 milhões de reais que poderiam ter sido obtidos se todas das áreas tivessem sido arrematadas sem ágio.

A Petrobras, que sempre foi dominante nos leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), não arrematou nenhuma área. Da mesma forma, grandes petroleiras inscritas, como a Shell e ExxonMobil, não levaram blocos.

"Os fatores como o preço do petróleo, escassez de dinheiro, dinheiro caro, reservas potenciais pequenas (no leilão), tudo isso fez com que o interesse fosse menor", afirmou ex-diretor da ANP e consultor do setor John Forman.

Segundo ele, o problema não foi somente a ausência da Petrobras, mas o fato de nenhuma grande petroleira ter participado.

"Do jeito que o mercado está, as empresas só vão na boa, no certo, naquilo que pode dar um retorno maior", acrescentou.

Os preços do petróleo caíram mais de 50 por cento em comparação com a época do último leilão da ANP, realizado há quase dois anos.   Continuação...

 
Diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, discursa durante leilão, enquanto manifestantes protestam contra "fracking". 07/10/2015 REUTERS/Pilar Olivares