Dólar segue exterior, cai mais de 1% e vai abaixo de R$3,80

quarta-feira, 7 de outubro de 2015 12:08 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caía mais de 1 por cento pela quarta sessão seguida e voltava abaixo de 3,80 reais nesta quarta-feira, refletindo a recuperação do apetite por risco nos mercados globais diante de apostas de que os juros norte-americanos só subirão no ano que vem.

Mas operadores reconheciam que ainda estavam pisando em ovos e que surpresas no cenário local, afetado por crise política e econômica, podem fazer a moeda norte-americana retomar a trajetória de alta.

Às 12:06, o dólar recuava 1,17 por cento, a 3,7979 reais na venda, após cair mais de 1 por cento em cada uma das três sessões anteriores. Na mínima do dia, chegou a 3,7880 reais, menor patamar intradia desde 9 de setembro (3,7671 reais).

"Investidores estão mostrando clara preferência por risco devido a expectativas de que o Fed não mude sua política monetária por enquanto", escreveram analistas do Scotiabank em nota a clientes, referindo-se ao Federal Reserve, banco central norte-americano.

Uma rodada de indicadores econômicos fracos sobre os Estados Unidos alimentou as apostas de que o Fed pode esperar mais antes de dar início ao aperto monetário, o que aconteceria só em 2016. A manutenção de juros perto de zero na maior economia do mundo pode sustentar a atratividade de investimentos em países como o Brasil, que pagam juros elevados.

Diante desse cenário, o dólar também recuava em relação às principais moedas emergentes, atingindo o menor nível em quase três semanas contra o peso mexicano.

No entanto, operadores não descartavam a possibilidade de o mercado de câmbio voltar a ser pressionado em breve, haja visto os importantes eventos políticos no Brasil.

O Congresso Nacional deve votar nesta quarta-feira vetos presidenciais com impacto sobre as finanças do governo e, mais tarde, o Tribunal de Contas da União (TCU) julga as contas públicas de 2014, o que pode abrir espaço para o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

"Tudo pode mudar de uma hora para a outra", resumiu o operador de uma corretora nacional, sob condição de anonimato.   Continuação...