De novo sem quórum na Câmara, sessão do Congresso para analisar vetos volta a ser adiada

quarta-feira, 7 de outubro de 2015 14:47 BRT
 

BRASÍLIA (Reuters) - Os deputados voltaram a marcar presença em número insuficiente e a sessão do Congresso Nacional marcada para esta quarta-feira para analisar vetos da presidente Dilma Rousseff a projetos que podem impactar nas contas públicas foi mais uma vez adiada, assim como ocorreu na véspera.

A sessão chegou a ser suspensa por 30 minutos, mas teve que ser encerrada. Este foi o segundo adiamento seguido causado pela presença insuficiente de deputados. Nem mesmo um apelo público feito por Dilma horas antes da sessão foi suficiente para sensibilizar os deputados a darem quórum.

Assim como na terça, os senadores compareceram em número suficiente para iniciar a apreciação dos vetos, mas os deputados não, o que levou ao encerramento da sessão.

Na pauta dos vetos de Dilma que precisam ser apreciados por deputados e senadores estão dois que teriam impacto nas contas públicas se derrubados: o reajuste aos servidores do Judiciário e a ampliação da política de reajuste do salário mínimo para todos os aposentados.

O impacto estimado pelo governo somente com o reajuste do Judiciário chega a 36 bilhões de reais até 2019.

Na manhã desta quarta-feira, Dilma disse ter certeza que o Congresso manteria seus vetos e defendeu a impossibilidade de o Brasil elevar gastos no momento atual, de desequilíbrio nas contas públicas e retração na economia.

"O Congresso, tenho certeza disso, vai demonstrar seu compromisso com o Brasil. É muito importante que as pessoas coloquem o interesse do Brasil acima dos seus interesses, acima dos interesses partidários", disse Dilma em entrevista a rádios da Bahia.

A resistência da Câmara em se fazer presente à sessão acontece dias depois de a presidente Dilma Rousseff realizar uma reforma ministerial para reacomodar sua base aliada. A presidente inclui na dança de cadeiras mais espaço para o PMDB na Esplanada dos Ministérios, dando à bancada do partido na Câmara duas pastas, Ciência e Tecnologia e Saúde, um dos maiores orçamentos do governo.

"É impossível um país que está enfrentando dificuldades aumentar desproporcionalmente suas despesas", acrescentou a presidente.   Continuação...

 
Congresso Nacional, em Brasília. 27/06/2014   REUTERS/Jorge Silva