Governo sofre derrota no Congresso ao não conseguir quórum para sessão de vetos

quarta-feira, 7 de outubro de 2015 18:24 BRT
 

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - Pela segunda vez na semana, deputados deixaram de marcar presença no plenário do Congresso e provocaram o cancelamento da sessão que analisaria vetos da presidente Dilma Rousseff a projetos com impacto nas contas públicas, impondo mais uma derrota para o governo, que tem pressa em encerrar o assunto.

A recente reforma ministerial e a mobilização pessoal da própria presidente parecem ter sido insuficientes para sensibilizar os deputados da base e fazer com que garantissem quórum para iniciar uma votação no Congresso nesta quarta.

O mesmo já havia ocorrido na terça-feira, data inicialmente prevista para a votação dos vetos, dentre eles o que impediu o reajuste de servidores do Judiciário e outro que barra a extensão da política de reajuste do salário mínimo para todos os aposentados. Na semana passada, uma sessão já for a adiada, obstruída pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que decidiu convocar os deputados para sessão plenária na mesma hora em que estava prevista a análise dos vetos.

“Evidente que há uma deliberada decisão no sentido de não haver quórum na Câmara”, disse nesta quarta-feira o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), ao anunciar a suspensão da sessão por 30 minutos.

Após esse prazo, e diante da quantidade insuficiente de deputados, a sessão foi encerrada, apesar de apelo feito mais cedo nesta quarta-feira por Dilma. A presidente disse ter certeza que o Congresso manteria seus vetos e defendeu a impossibilidade de elevar gastos num momento em que o país passa por dificuldades.

REFORMA E CARGOS

Segundo três parlamentares consultados pela Reuters que pediram para não ser identificados, a baixa presença deve-se principal emente à insatisfação de partidos aliados --PP, PR e PSD-– com a reforma recentemente promovida pela presidente e com a demora na nomeação de cargos.   Continuação...

 
Presidente Dilma Rousseff durante cerimônia em Brasília.  7/10/2015. REUTERS/Adriano Machado