Governo federal diz que produção de petróleo do país crescerá menos

quarta-feira, 7 de outubro de 2015 15:52 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - A produção de petróleo do Brasil deverá ter um crescimento menor no longo prazo após o novo corte de investimentos da Petrobras anunciado nesta semana, admitiu o secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia, ao ser questionado sobre o assunto em entrevista realizada após um leilão de áreas de exploração que atraiu fraco interesse do mercado.

A 13ª Rodada de Licitação, realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) nesta quarta-feira, ficou marcada pela ausência da Petrobras, que no início da semana anunciou redução de gastos operacionais e investimentos de 18 bilhões de dólares nos próximos dois anos.

A estatal já havia anunciado, ao final de junho, um corte de cerca de 40 por cento em seu plano plurianual de 2015 a 2019, para 130,3 bilhões de dólares.

"É evidente que vai haver uma redução de ritmo de crescimento, mas vamos ser exportadores de petróleo. As áreas que já estão licitadas e que já estão descobertas estão postas, ninguém tem dúvida dos volumes ali envolvidos. A questão é deslocar um pouco no tempo, mudar um pouco a inclinação das curvas de produção", afirmou o secretário do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Almeida.

Envolvida em um escândalo de corrupção e com uma dívida crescente, agravada pela forte valorização do dólar frente ao real, a Petrobras vem adotando uma série de medidas para tentar sair da crise, entre as quais o corte de despesas e investimentos.

Questionado se as curvas de produção apresentadas pela Petrobras no longo prazo sofrerão mudanças, o secretário de Petróleo e Gás evitou entrar em detalhes.

Durante entrevista, o secretário afirmou ainda que o governo federal não tem previsão sobre quando será realizado o próximo leilão de área no pré-sal, pelo regime de partilha, mas disse que será mantido o compromisso com a indústria de realizar rodadas sob o regime de concessão a cada dois anos.

(Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier)