Fundos de pensão têm cenário difícil pelo menos até 2017, diz Abrapp

quarta-feira, 7 de outubro de 2015 18:19 BRT
 

Por Aluísio Alves

BRASÍLIA (Reuters) - Os grandes fundos de pensão fechados do país terão um cenário difícil pelos próximos dois a três anos pelo menos, diante do quadro de estagnação econômica do país e dos seguidos períodos de pagamento de benefícios superando as contribuições, disse nesta quarta-feira o presidente da entidade que representa o setor, Abrapp.

A rentabilidade média prevista para o setor, que reúne instituições como Previ, dos funcionários do Banco do Brasil, e Petros, dos empregados da Petrobras, deve fechar 2015 ao redor de 8,7 por cento. Isso é bem abaixo da chamada meta atuarial, rentabilidade mínima considerada necessária para manter o equilíbrio suficiente para pagar os benefícios de todos os participantes, de 15,94 por cento.

O principal responsável para esse quadro é o desempenho continuadamente fraco dos investimentos em renda variável. Nos níveis atuais, o Ibovespa está distante dos patamares que alcançou em 2007-08, quando superou os 70 mil pontos.

"Vamos ter outro ano desfavorável para os fundos de pensão", disse a jornalistas o presidente da Abrapp, José Ribeiro Pena Neto, durante congresso anual do setor.

Num período de 10 anos (2005-14), a rentabilidade média dos fundos ainda é superior à meta atuarial, 214 contra 197 por cento, mas seguidos anos de fraco desempenho recente têm feito essa folga diminuir. É o que tende a acontecer no curto prazo.

"O cenário é preocupante para os próximos dois a três anos", disse Pena Neto.

Não bastasse a rentabilidade mais fraca, os fundos também têm recebido menos contribuições do que pago benefícios aos participantes. Isso porque nem todos os empregados das empresas patrocinadoras têm optado por aderir aos planos.

No ano passado, por exemplo, o sistema pagou 54,6 bilhões de reais em benefícios, enquanto as contribuições somaram 34,85 bilhões de reais.   Continuação...