Ausência de Petrobras e outras grandes petroleiras frustra leilão da ANP

quarta-feira, 7 de outubro de 2015 19:41 BRT
 

Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A 13ª Rodada de Licitação de Blocos Exploratórios de petróleo e gás natural apresentou fraco interesse pelos ativos, negociando apenas 37 dos 266 blocos ofertados, sem nenhum lance de grandes empresas, inclusive da Petrobras, em um momento de crise na estatal e de queda nos preços globais do petróleo.

Dos blocos arrematados nesta quarta-fera, 35 estão em terra e, por isso, são menos valiosos e com menor potencial para petróleo.

A Petrobras, que sempre arrematou mais da metade das áreas ofertadas nos leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), não fez oferta por nenhuma área.

Da mesma forma, grandes petroleiras inscritas, como a Shell e ExxonMobil, também não levaram blocos.

"A locomotiva (Petrobras) não participou da rodada, esse é um elemento para se pensar sobre esse resultado... Em todas as rodadas, quando a gente olha para trás, as empresas estrangeiras querem e pleiteiam a parceria com a Petrobras de forma que essa pode ter sido, quem sabe, uma das razões para as grandes petroleiras não terem entrado", afirmou a diretora-geral da ANP, Magda Chambriard.

Na segunda-feira, a Petrobras havia anunciado uma redução de 18 bilhões de dólares, ou 16 por cento, na previsão de gastos operacionais e investimentos para 2015 e 2016, devido à queda nos preços de petróleo e à desvalorização do real frente ao dólar.

"Algumas dessas áreas ofertadas eram consideradas pela ANP como extremamente boas", afirmou Magda, citando a Bacia do Espírito Santo, que não teve ofertas.

"Os fatores como o preço do petróleo, escassez de dinheiro, dinheiro caro, reservas potenciais pequenas (no leilão), tudo isso fez com que o interesse fosse menor", afirmou ex-diretor da ANP e consultor do setor John Forman.   Continuação...

 
Diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, fala durante 13º Rodada de Licitação de Blocos de Exploratórios de petróleo e gás natural, no Rio de Janeiro 7/10/2015.  REUTERS/Pilar Olivares