Instituto Acende vê pouca competição em leilão de hidrelétricas existentes

quinta-feira, 8 de outubro de 2015 17:37 BRT
 

Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de hidrelétricas existentes, com o qual o governo federal pretende arrecadar 17 bilhões de reais em outorgas, foi planejado às pressas e deverá ser marcado por baixa competição, avaliou nesta quinta-feira o Instituto Acende Brasil, um centro de estudos do setor elétrico.

Segundo o instituto, um número relativamente pequeno de empresas deve conseguir montar a tempo uma estrutura adequada de financiamento para o certame, que teve o edital aprovado nesta semana e será realizado em 6 de novembro.

"Fizeram mal feito o que poderia ser bem feito... É um leilão que parte do pressuposto do 'anti-leilão'... vai ter baixíssimo nível de competição, se é que haverá ofertas para todas as usinas", afirmou o presidente do Acende Brasil, Claudio Sales, que atua no centro de estudos há mais uma década.

O leilão ofertará aos investidores 29 hidrelétricas cuja concessão venceu ou está para expirar, incluindo empreendimentos hoje administrados pela estatal paulista Cesp, como Jupiá e Ilha Solteira, além de usinas de Cemig, Celesc e Copel.

As bonificações de outorga chegam a 13,8 bilhões de reais, cobrados para as usinas da Cesp, enquanto o lote que reúne as usinas da Cemig tem bônus de 2,2 bilhões de reais.

"É impossível que um número grande de empresas consiga montar estruturas de financiamento para isso", disse o presidente do Acende Brasil, referindo-se ao prazo e às condições de mercado, além dos elevados recursos envolvidos.

Especialistas já haviam alertado à Reuters, no início do mês, sobre as dificuldades para obtenção dos financiamentos.

  Continuação...