ENTREVISTA-Funcef define ainda este mês plano para cobrir déficit de carteira antiga

quinta-feira, 8 de outubro de 2015 17:44 BRT
 

Por Aluísio Alves

BRASÍLIA (Reuters) - O terceiro maior fundo de pensão do país, o Funcef, dos empregados da Caixa Econômica Federal, deve definir ainda neste mês um plano para equacionar o déficit bilionário de sua maior e mais antiga carteira, disse à Reuters um executivo da instituição.

A carteira antiga, que envolve funcionários que ingressaram na instituição financeira federal antes de 2008, vem acumulando resultados negativos desde 2011, principalmente devido à forte queda do valor das ações das ações da Vale e à antecipação de ganhos aos beneficiários.

"O corpo técnico deve apresentar o plano ainda em outubro, para ser aprovado e entregue ao regulador até dezembro", disse nesta quarta-feira o diretor de investimentos do Funcef, Maurício Marcellini Pereira.

Dos 140 mil beneficiários e 54 bilhões de reais de ativos do Funcef, a carteira antiga tem 65 mil participantes e 44 bilhões reais. E este ano deve fechar novamente no vermelho, fato que vem acontecendo desde 2011.

Pelas regras, quando o fundo de pensão tem três anos seguidos de déficit, a lacuna deve ser dividida de forma paritária entre o patrocinador, no caso a Caixa, e os participantes.

O assunto tem sido alvo de intensas discussões dentro do fundo, especialmente por parte dos participantes, que tendem a ter o benefício reduzido.

Pelos números mais recentes, o déficit acumulado apenas nos últimos três anos chega a cerca de 5 bilhões de reais. Destes, cerca de 4 bilhões de reais devem-se à desvalorização das ações da Vale, como consequência da derrocada dos preços globais do minério de ferro. O Funcef tem cerca de 10 por cento das ações da mineradora.

O Funcef também coinvestiu na Sete Brasil, empresa criada para produzir plataformas para a Petrobras, junto com a Previ, fundo de pensão dos empregados do Banco do Brasil e a Petros (dos empregados da própria Petrobras). Com um endividamento elevado, a Sete Brasil está às voltas com uma renegociação com sócios e credores, diante dos desdobramentos da operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobras e que precipitou uma crise no setor de óleo e gás.   Continuação...