Hidrelétricas do Brasil seguirão com déficit de geração em 2016, diz CCEE

sexta-feira, 9 de outubro de 2015 16:23 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - Depois de dois anos de seca, as hidrelétricas do Brasil devem continuar com déficit de geração de energia em 2016, devido à necessidade de recuperar reservatórios para garantir a segurança do suprimento, afirmou nesta sexta-feira um especialista da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

A projeção, no entanto, é de que o déficit seja menor, de entre 1,6 por cento e 3,1 por cento, segundo a CCEE, ante um déficit esperado de 15,4 por cento neste ano e de 9,3 por cento em 2014.

"Esse déficit é bem pequeno, e está um pouco influenciado pelo despacho térmico, que pode avançar nos primeiros meses de 2016 para que se possa recuperar os reservatórios", disse à Reuters o gerente de Preço da CCEE, Rodrigo Sacchi.

Configura-se um déficit quando as hidrelétricas geram abaixo da garantia física --que representa o montante de energia que as usinas podem vender no mercado de eletricidade.

A produção das hidrelétricas, no entanto, pode ser ainda menor caso o Brasil não receba chuvas favoráveis no período úmido, que vai de novembro a abril. A CCEE projeta que, nesse caso, seria necessário manter as térmicas ligadas por todo o ano de 2016, o que faria o déficit hídrico alcançar 11,4 por cento.

"Esse é um cenário menos provável de ocorrer, mas temos que avaliar essas premissas também", apontou Sacchi.

A CCEE espera um período chuvoso mais próximo da média em 2015-2016, depois de duas temporadas em que as chuvas nos reservatórios das hidrelétricas ficaram abaixo do esperado e o país chegou a ficar próximo de um racionamento de energia.

Na quinta-feira, os reservatórios das hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste, que concentram a maior parte da capacidade do país, estavam com 31 por cento de armazenamento, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).   Continuação...

 
Hidrelétrica de Furnas em Minas Gerais. 14/01/2013 REUTERS/Paulo Whitaker