EUA pagam três vezes mais em remédios do que britânicos

segunda-feira, 12 de outubro de 2015 16:15 BRT
 

Por Ben Hirschler

LONDRES (Reuters) - Os preços dos 20 remédios mais vendidos no mundo são, em média, três vezes mais caros nos Estados Unidos do que na Grã-Bretanha, de acordo com uma análise feita a pedido da Reuters.

A conclusão destaca um abismo transatlântico entre os preços dos tratamentos médicos para uma série de doenças num momento em que aumenta a demanda por um custo menor para medicamentos nos EUA, feita por críticos da indústria farmacêutica como a candidata presidencial democrata Hillary Clinton.

Os 20 medicamentos pesquisados, que juntos correspondem a 15 por cento dos gastos globais com produtos farmacêuticos em 2014, são uma grande fonte de lucros para companhias como AbbVie, AstraZeneca, Merck, Pfizer e Roche.

Pesquisadores da Universidade de Liverpool, na Grã-Bretanha, também descobriram que os preços nos EUA demonstraram ser consistentemente mais altos do que em outros mercados europeus.

Os preços norte-americanos também mostraram ser seis vezes mais altos do que no Brasil e 16 vezes mais altos do que a média dos países nos quais são mais baratos, entre os quais costuma estar a Índia.

Os Estados Unidos, que permitem a livre competição de preços entre concorrentes, têm medicamentos mais caros do que em outros países onde os governos controlam direta ou indiretamente os custos dos medicamentos.

Isso faz com que o mercado norte-americano seja de longe o mais rentável para as companhias farmacêuticas, gerando críticas de que os cidadãos norte-americanos estão na prática subsidiando os sistemas de saúde de outros países.

As empresas produtoras alegam que os lucros altos são necessários para remunerar pesquisas de alto risco e refletir o valor econômico proporcionado pelos remédios. Elas também apontam para a alta taxa de sobrevivência nos EUA para doenças como o câncer, além da existência de esquemas subsidiados pela indústria para atender aos cidadãos mais pobres.   Continuação...