Economistas veem inflação de 6,05% e indústria contraindo 1% em 2016

terça-feira, 13 de outubro de 2015 09:13 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - As projeções de economistas de instituições financeiras para a economia e a inflação no Brasil em 2015 e 2016 voltaram a piorar de forma generalizada, com as expectativas para a alta do IPCA no próximo ano superando 6 por cento e as da contração da indústria chegando a 1 por cento.

A estimativa para a inflação em 2016 na pesquisa Focus do Banco Central divulgada nesta terça-feira subiu pela 10ª semana seguida e agora é de 6,05 por cento, contra 5,94 por cento na pesquisa anterior, mostrando a dificuldade em controlar as expectativas. A meta para o ano que vem é de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.

A pressão para a inflação no próximo ano vem da alta dos preços administrados, cuja expectativa subiu 0,27 ponto percentual para 6,27 por cento, e também do dólar, projetado agora em 4,15 reais no final de 2016, contra 4 reais na pesquisa anterior.

Para 2015, o levantamento semanal mostrou alta de 9,70 por cento do IPCA, com os preços administrados subindo 16 por cento, ante previsão anterior de 15,55 por cento. A projeção para o dólar ao final deste ano permaneceu em 4 reais.

Em setembro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,54 por cento, acelerando ante alta de 0,22 por cento em agosto e chegando a 9,49 por cento no acumulado em 12 meses.

Em relação à política monetária, os especialistas consultados não alteraram sua visão de que a Selic vai encerrar este ano no atual patamar de 14,25 por cento. Mas diante das pressões inflacionárias elevaram a projeção para o final de 2016 a 12,63 por cento na mediana das expectativas, contra 12,50 por cento no levantamento anterior.

Já as estimativas para o Produto Interno Bruto pioraram novamente em meio ao cenário de forte crise econômica e política e deterioração da confiança.

Agora a expectativa é de contração de 1,20 por cento em 2016, contra queda de 1 por cento antes. Para este ano, a projeção de retração passou a 2,97 por cento, ante recuo de 2,85 por cento na pesquisa anterior.

Isso diante da forte deterioração na expectativa para o desempenho da produção industrial em 2016, que passou a uma queda de 1 por cento contra recuo de 0,29 por cento no levantamento anterior. Para este ano a projeção para o setor é de contração de 7 por cento, ante queda de 6,5 por cento.

(Por Camila Moreira)

 
Sede do Banco Central, em Brasília.  23/09/2015    REUTERS/Ueslei Marcelino