Líder socialista português diz estar em melhor posição para formar governo

terça-feira, 13 de outubro de 2015 12:55 BRT
 

Por Axel Bugge e Sergio Goncalves

LISBOA (Reuters) - Os socialistas de Portugal estão em uma posição melhor para formar um governo estável do que a centro-direita, após dois partidos de extrema-esquerda deixarem de lado a oposição às regras da União Europeia sobre redução do déficit orçamentário, disse o líder do partido nesta terça-feira.

A incerteza política em Portugal cresceu desde uma eleição inconclusa em 4 de outubro, na qual o governo de centro-direita ganhou a mais votos, mas falhou em conquistar a maioria no Parlamento.

O mercado de ações português despencou nos últimos dois dias pela percepção de que os socialistas podem estar em uma posição de formação de um governo de esquerda, derrubando expectativas de que a centro-direita continuaria no poder.

Mas o líder do Partido Socialista, Antonio Costa, que iniciou negociações com a esquerda e direita, disse à Reuters em entrevista que seu partido estava pronto para governar e "virar a página da austeridade".

Costa disse que, embora a centro-direita tenha conquistado mais votos, a eleição mostrou "um desejo por mudanças na política", à medida que seu partido, junto com os comunistas de extrema-esquerda e o Bloco de Esquerda, conquistaram a maioria parlamentar.

"O que é nítido no momento é que o Partido Socialista está em uma posição melhor do que a direita para formar um governo que será estável pelos próximos quatro anos", disse Costa.

"O que quero transmitir, especialmente aos mercados, é que Portugal irá manter a estabilidade de seus compromissos europeus", acrescentou.

Após encontro com líderes do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda, Costa disse que o cenário político mudou, agora que ambos partidos retiraram a oposição aos compromissos europeus de Portugal sobre a disciplina orçamentária.

 
Líder o Partido Socialista português, Antonio Costa, discursa para simpatizantes depois do fechamento das urnas na eleição geral em Portugal. 04/10/2015 REUTERS/Rafael Marchante