Vendas no varejo brasileiro caem 0,9% em agosto e setor caminha para pior ano desde 2003

quarta-feira, 14 de outubro de 2015 11:38 BRT
 

Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - As vendas varejistas recuaram mais que o esperado em agosto, deixando o setor a caminho do pior desempenho anual em 12 anos e contaminando as expectativas para 2016, num aprofundamento do cenário de recessão econômica no país com inflação alta e desemprego subindo.

A queda de 0,9 por cento em agosto sobre o mês anterior foi a sétima mês seguida, tendo conseguido variação positiva somente em janeiro, de 0,1 por cento. Com isso, elas acumulam nos primeiros oito meses deste ano perdas de 3,0 por cento, apagando o ganho de 2,2 por cento em 2014 como um todo e a caminho de terminar o ano com contração pela primeira vez desde 2003 (-3,7 por cento).

Em relação a agosto de 2014, as vendas recuaram 6,9 por cento, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

Os dois resultados foram bem piores do que a expectativa em pesquisa da Reuters junto a especialistas, de recuo de 0,55 por cento na base mensal e de 5,6 por cento sobre um ano antes.

"O viés é de baixa para a projeção do varejo em 2015 e contamina 2016. Com o cenário atual de renda, de crédito e político, não tem nada que possa reverter o cenário do consumo das famílias", afirmou o economista da Tendências Consultoria Rodrigo Biaggi, que projeta queda de 4,1 por cento para o varejo este ano e de 1,5 por cento no próximo.

A confiança do consumidor brasileiro continua em níveis históricos baixos, como reflexo da economia em recessão, deterioração do mercado de trabalho e em meio à forte crise política que assola o país.

"O cenário de curto prazo para o consumo privado e vendas no varejo continua negativo desde à signifivativa desaceleração do fluxo de crédito, altos níveis de endividamento, queda da criação do emprego e do crescimento de salários, e taxas de juros mais altas", destacou o diretor de pesquisa econômica do Goldman Sachs para América Latina, Alberto Ramos.

As projeções para a economia no próximo ano vêm se deteriorando constantemente, com economistas consultados na pesquisa Focus do Banco Central projetando contração de 1,20 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), mostrando a dificuldade de recuperação ante a retração de 2,97 prevista para este ano.   Continuação...