Dólar amplia alta para 1% ante real após Fitch rebaixar Brasil

quinta-feira, 15 de outubro de 2015 12:47 BRT
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar ampliou a alta para 1 por cento em relação ao real nesta quinta-feira, após a Fitch rebaixar o Brasil e sinalizar que o país pode perder seu selo de bom pagador no próximo ano, ao colocar o país com perspectiva negativa.

Segundo operadores, esse cenário deve levar o mercado a ficar mais sensível nos próximos dias, mas não deve servir de gatilho para mais uma rodada de pânico como a que assombrou os mercados no mês passado, uma vez que muitos operadores já haviam antecipado à decisão da agência.

Às 12:41, o dólar avançava 1,07 por cento, a 3,8534 reais na venda, após atingir 3,7801 reais na mínima do dia e 3,8773 reais na máxima.

"O mercado só vai reagir com bastante força quando houver de fato uma retirada do grau de investimento", disse o operador da corretora Spinelli José Carlos Amado. "Por enquanto, (a decisão da Fitch) deixa o mercado com o radar ligado, mais sensível a altas".

A Fitch cortou a nota do Brasil de "BBB" para "BBB-", último degrau que garante o chamado grau de investimento, e manteve a perspectiva negativa, sugerindo que outro rebaixamento é possível ao longo do próximo ano.

Outros mercados brasileiros, como os juros futuros e a Bovespa, tiveram reações contidas às decisões. .

Segundo operadores, o mercado brasileiro continuava mais sensível que seus pares devido à crise política. A indefinição sobre eventual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff vem pressionando o câmbio e levou o dólar a marcar a maior alta diária sobre o real em mais de quatro anos na terça-feira.

Analistas da Guide Investimentos destacaram em nota clientes o "noticiário político ainda intenso", mas ressaltaram que "tudo indica que continuaremos em 'stand by': Cunha e Planalto tentam costurar acordão", referindo-se ao presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Pela manhã, o dólar já havia esboçado movimento de alta, após dados sobre a inflação e o mercado de trabalho nos Estados Unidos atenuarem um pouco as apostas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, não eleve os juros neste ano.   Continuação...

 
Notas de dólar e real em casa de câmbio no Rio de Janeiro. 10/09/2015 REUTERS/Ricardo Moraes