Leilão para energia eólica e solar testa apetite do mercado em meio à crise

quinta-feira, 15 de outubro de 2015 12:13 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - O leilão de energia de reserva agendado pelo governo federal para 13 de novembro, no qual serão contratadas apenas usinas eólicas e solares, deverá testar o apetite dos investidores em fontes renováveis de eletricidade em um momento mais complicado para a economia brasileira.

Segundo consultorias ouvidas pela Reuters, os preços teto definidos para a licitação --16 por cento mais altos do que no último leilão, no caso das eólicas, e 9 por cento, para as usinas fotovoltaicas-- deveria atrair fortemente os investidores em uma conjuntura mais favorável do país e do setor elétrico.

"O preço é atrativo... deve ter um pessoal interessado. Mas, de fato, as empresas estão com um caixa mais apertado. (A disputa no certame) vai depender muito do apetite de quem está com fôlego para captar recursos", afirmou o sócio e líder de energia da PwC, Guilherme Valle.

Para o consultor, a variação cambial deve ser um dos maiores fatores de risco a serem levados em consideração pelas empresas dispostas a vender energia no leilão, assim como o custo de financiamento.

A visão é semelhante à do especialista em energia da Deloitte, Luis Tsutomu.

"A grande pergunta é se essa majoração do preço teto vai ser suficiente para quebrar essa percepção de risco, e acho que o risco maior aqui é o cambial... grande parte dos custos (de usinas eólicas e solares) está atrelada ao dólar", apontou.

No acumulado do ano, o dólar subiu cerca de 45 por cento frente ao real.

Embora vejam o mercado de energias renováveis no Brasil como aquecido, os consultores avaliam que o segmento não está mais imune à crise vivida pelo país.   Continuação...