Brasileiro deve viajar menos para exterior na alta temporada apesar de promoções, diz Abav

quinta-feira, 15 de outubro de 2015 16:26 BRT
 

Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A desvalorização do real ante o dólar e os efeitos da crise econômica devem fazer com que o volume de pacotes de viagens para o exterior fechados pelos brasileiros encerre o segundo semestre com uma queda de 20 por cento sobre o mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav).

O recuo deve ter a mesma magnitude na alta temporada, no fim do ano, quando as companhias aéreas provavelmente terão dificuldade em elevar os preços de passagens ao mesmo nível visto em 2014, segundo o vice-presidente de Relações Internacionais da associação, Leonel Rossi Junior.

"A queda no fechamento de pacotes não tem sido maior porque o preço das passagens desabou", disse à Reuters.

As aéreas têm praticado tarifas promocionais agressivas para estimular o cliente de lazer a viajar, buscando compensar a persistente retração do público corporativo em meio à desaceleração da economia.

Mas elas têm indicado que os incentivos têm limite, em um período de custos em alta por conta do impacto do dólar sobre o querosene de aviação -- a divisa norte-americana subiu 22,64 por cento ante o real desde o fim de junho até a véspera.

Segundo Rossi Junior, as promoções se tornaram um perigo para as companhias aéreas, porque os consumidores ficam na expectativa de preços mais atraentes que o normal na alta temporada, adiando a compra de passagens em vez de antecipá-la.

"Acredito que as empresas aéreas não possam voltar ao preço anterior (praticado na alta temporada do ano passado) neste ano", afirmou.

A companhia aérea Azul, por exemplo, informou na semana passada que a passagem de ida e volta para os Estados Unidos estava custando a partir de 400 dólares, podendo cair a 350 com promoções. Isso se compara a cerca de 800 dólares praticamente um ano atrás. O presidente da empresa, Antonoaldo Neves, afirmou na ocasião que a operação internacional mal estava lucrativa, quase um ano após o lançamento dos voos para os EUA, em dezembro de 2014.   Continuação...