Hidrelétricas do Nordeste podem fechar mês no nível de 2001, ano de racionamento

sexta-feira, 16 de outubro de 2015 12:58 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - As hidrelétricas do Nordeste do Brasil devem receber em outubro apenas 33 por cento da média história de chuvas para esta época do ano, o que pode levá-las a encerrar o mês com reserva de água no mesmo nível de 2001, ano em que o país passou por racionamento de eletricidade, segundo relatório do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) divulgado nesta sexta-feira.

As projeções do órgão para o nível dos lagos das usinas da região ao final deste mês variam de um máximo de 8,9 por cento a um mínimo de 8,4 por cento --mesmo número registrado no final de outubro de 2001. Naquela época do racioamento, no entanto, havia menos infraestrutura de transmissão para que uma região pudesse socorrer a outra, como acontece atualmente.

Segundo dados do ONS compilados pela comercializadora de energia Comerc, o sistema brasileiro conta atualmente com apenas 31 por cento da água que os reservatórios das usinas poderiam armazenar, dos quais apenas dois pontos percentuais estão no Nordeste.

O Sudeste, conhecido entre especialistas como "caixa d'água do sistema", concentra 22 pontos percentuais em suas hidrelétricas, contra 5 pontos no Sul, onde concentram-se atualmente as chuvas mais favoráveis, e 2 pontos no Norte.

Com falta de água, o Nordeste tem sido socorrido pelo envio de energia de outras regiões do país e pelas usinas eólicas.

"As eólicas estão gerando praticamente a mesma quantidade de energia que as hidrelétricas no Nordeste. Elas têm sido muito importantes para evitar um racionamento na região", afirmou à Reuters recentemente o presidente da Chesf, do Grupo Eletrobras, José Carlos de Miranda.

Na quinta-feira, por exemplo, as eólicas produziram mais que as hidrelétricas no Nordeste --2,78 gigawatts, contra 2,73 gigawatts. O suprimento, no entanto, foi garantido com a ajuda de termelétricas, que produziram 3,2 gigawatts, e do recebimento de 1,42 gigawatts em energia do Norte e Sudeste, segundo boletim do ONS.

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