Plantio de soja em Mato Grosso recupera atraso, mas clima preocupa produtores

sexta-feira, 16 de outubro de 2015 14:56 BRT
 

Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - O plantio da safra 2015/16 de soja em Mato Grosso, que até semana passada estava atrasado ante 2014/15, avançou com bom ritmo na última semana para 14,3 por cento da área prevista, ante 9,3 por cento no mesmo estágio de 2014, informou nesta sexta-feira o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea).

Até o final da semana passada, produtores tinham semeado apenas 6,1 por cento da área estimada em um recorde de 9,2 milhões de hectares no Estado, o maior produtor brasileiro da oleaginosa.

O avanço semanal ocorreu apesar do clima irregular, com alguns agricultores realizando o plantio nas áreas que receberam bons volumes de chuvas isoladas. Além disso, alguns produtores arriscam visando garantir uma janela de plantio adequada ao algodão, após a colheita da soja.

Todo o Centro-Oeste do Brasil tem sofrido com irregularidade nas chuvas devido ao fenômeno climático El Niño. Em geral, os agricultores costumam aguardar bons volumes de precipitações para garantir umidade no solo e um bom desenvolvimento das novas plantas.

A região oeste de Mato Grosso é a mais avançada, segundo o Imea, com 21,5 por cento da área semeada. Mas isso não significa que as chuvas na região estejam normalizadas.

"Hoje faz dez dias que não tem uma gota de chuva na minha lavoura", relatou o presidente do Sindicato Rural de Sapezal, principal município produtor do oeste de Mato Grosso, José Guarino. "Eu particularmente não coloquei nenhum grão no chão... Não quero arriscar."

Segundo Guarino, o avanço registrado ocorreu em áreas isoladas onde choveu bastante e também nas fazendas de grandes produtores que almejam plantar algodão após a soja e precisam acelerar o cronograma de cultivo.

"Eles estão arriscando e muito. Ano passado plantaram (antecipadamente em meio à seca) e colheram menos de 30 sacos (por hectare)", disse Guarino, comparando o resultado com uma média estadual de 52 sacos por hectare.   Continuação...