Petrobras sofre com calote recorde em liquidação de contratos de energia na CCEE

sexta-feira, 16 de outubro de 2015 17:07 BRT
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A inadimplência recorde vista nas liquidações financeiras do mercado de curto prazo de eletricidade nos últimos meses tem pesado sobre a petroleira estatal Petrobras, que costuma ter elevados valores a receber na Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), segundo especialistas ouvidos pela Reuters.

Na liquidação dos contratos referentes a julho e agosto, realizada na quinta-feira pela CCEE, a inadimplência alcançou 2,4 bilhões de reais, ou 56 por cento dos 4,2 bilhões envolvidos na operação, que acerta diferenças entre a geração ou consumo das empresas em relação aos contratos de compra e venda de energia.

Os atrasos e inadimplências nas liquidações da CCEE têm acontecido desde agosto, quando diversas empresas de energia começaram a obter liminares na Justiça para evitar prejuízos com o déficit de geração registrado pelas hidrelétricas devido à seca.

Munidas de decisões judiciais que evitam que arquem com pagamentos relacionados ao déficit --a CCEE contabilizou 92 liminares envolvidas na liquidação de quinta-feira--, algumas companhias acabam deixando sem receber empresas como a Petrobras, que teriam valores a embolsar na liquidação.

"A Petrobras é um agente que está sendo bastante impactado por conta disso. (A petroleira) tem muitas usinas térmicas nessa situação --elas são chamadas a gerar e não recebem a totalidade de sua receita (devido à inadimplência na CCEE)", apontou o gerente de Regulação da Safira Energia, Fábio Cuberos.

Parte da exposição da Petrobras à inadimplência deve-se ao fato de a empresa possuir termelétricas sem contratos de venda de energia --conhecidas no mercado como "usinas merchant", que vendem toda a produção no mercado de curto prazo-- além de outras plantas ligadas a toda carga, gerando sobras de energia.

Empresas com valores a receber na liquidação da CCEE têm descontada da receita uma parcela equivalente ao percentual de inadimplência registrado.

"Essas usinas não estão recebendo os créditos por sua geração de maneira integral... estão recebendo aproximadamente metade", explicou o pesquisador Roberto Brandão, do Grupo de Estudos do Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Gesel-UFRJ).   Continuação...