Kroton tem otimismo "cauteloso" sobre 2016, discute com bancos financiamento a estudantes

segunda-feira, 19 de outubro de 2015 17:00 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - A empresa de educação Kroton avalia o próximo ano com otimismo "cauteloso" após relativa estabilidade das taxas de evasão de alunos e crescimento na captação de estudantes no terceiro trimestre, afirmaram executivos da companhia nesta segunda-feira.

A empresa, maior do setor no país, está mantendo os planos de abertura de novas unidades de ensino presencial que poderão quase dobrar sua presença no território nacional, mas pode modular o ritmo de abertura dependendo da economia, disse o presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, em reunião com analistas, investidores e jornalistas, nesta segunda-feira.

O plano, de até 100 unidades protocoladas junto ao Ministério da Educação em cinco anos, está sendo mantido diante da baixa penetração do ensino superior no Brasil e de relativo baixo custo de abertura de cada um, disseram executivos da companhia. Atualmente a empresa tem 128 unidades em funcionamento.

Apesar do aumento do desemprego e da baixa confiança na economia, a Kroton informou na semana passada que conseguiu elevar em 4 por cento a captação de alunos de graduação no terceiro trimestre sobre um ano antes, com a taxa de evasão de alunos ficando praticamente estável.

"Certamente, esta resiliência da educação à crise tem limite, mas até agora não sentimos impactos importantes. Sem dúvida, o crescimento (de alunos) teria sido maior (não fosse a crise)", disse Galindo. O executivo evitou dar números precisos, mas segundo ele, a inadimplência também não está indicando curva acentuada para cima nos próximos meses.

O diretor financeiro, Frederico Abreu, afirmou que a empresa sentiu nos últimos meses uma pequena queda nos pagamentos em dia de mensalidades, mas que a companhia está conseguindo resultados melhores na recuperação dos pagamentos dos estudantes após implementar uma série de ações, como internalização da área de cobrança, o que está mantendo estável a provisão para devedores duvidosos (PDD).

Diante dos cortes no programa federal de financiamento estudantil (Fies), que fez a captação de alunos por este canal cair 84 por cento no terceiro trimestre, a Kroton segue discutindo "sem pressa" com bancos parceria para oferta de crédito privado.

Segundo Abreu, a intenção da empresa é poder lançar um produto de financiamento em parceria com instituições financeiras entre o próximo ano e 2017, enquanto vai buscar montar um FDIC (fundo de investimento em direitos creditórios) junto a algum banco de investimento com experiência em crédito estudantil.

O executivo não deu detalhes sobre volume de alunos a serem financiados por estes canais, mas comentou que diante do atual nível da Selic, a Kroton terá que subsidiar parte dos juros. Por sua vez, Galindo comentou que "financiamento estudantil fará parte da nossa estratégia de crescimento".   Continuação...