ENFOQUE-Fundos de pensão terão papel menor em futuros projetos de infraestrutura

segunda-feira, 19 de outubro de 2015 17:41 BRST
 

Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - Os maiores fundos de pensão do Brasil devem ter participação menor nos futuros grandes projetos de infraestrutura do governo federal nos próximos anos, enquanto buscam reduzir a exposição do portfólio a ativos que consideram mais arriscados.

Forçados a assumir uma gestão mais conservadora, diante das perdas pesadas com ações e grandes projetos nos últimos anos, além do "envelhecimento" de suas maiores carteiras, os fundos estão encontrando nos juros altos um encaixe perfeito para acelerar a fatia de títulos públicos no portfólio.

O impulso recente nessa direção se deu com gestores das fundações centrando compras em ativos como NTN-B, papéis do governo federal vinculados à inflação.

Segundo a Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), a fatia de renda fixa no patrimônio do setor subiu de 60,4 por cento no fim de 2013 para 65,9 por cento em junho último. Enquanto isso, a participação de ações caiu quase 6 pontos percentuais, a 23,4 por cento.

Já o montante dos chamados investimentos estruturados, que incluem projetos de infraestrutura, que vinha subindo sem parar desde 2010, teve um leve recuo no primeiro semestre deste ano e deve cair ainda mais.

O movimento liderado por Previ, Petros e Funcef, os três maiores fundos de pensão do país, vai na contramão do que deseja o governo federal, que tenta levá-los a participar de consórcios e forçar alguma concorrência nos futuros leilões de concessões públicas, incluindo logística e energia elétrica. Os três possuem em conjunto mais de 40 por cento dos 733 bilhões de reais em ativos do patrimônio do setor.

Desde 2012, ano do lançamento da primeira edição do Programa de Investimento em Logística (PIL), o Funcef vem reduzindo a aposta em projetos ligados à tese de crescimento econômico do país, incluindo os chamados fundos estruturados.

"Antes, entrávamos com 20 a 25 por cento dos fundos (de infraestrutura); agora não chegamos a 10 por cento", disse Maurício Marcellini Pereira, diretor de investimentos do Funcef, caixa de previdência dos empregados da Caixa Econômica Federal. "E a estratégia para os próximos anos é seguir ampliando a exposição a títulos públicos", disse Marcellini.   Continuação...