ENTREVISTA-Espanhola Gamesa busca liderança na indústria de turbinas eólicas do Brasil

quarta-feira, 21 de outubro de 2015 16:25 BRST
 

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A fabricante espanhola de turbinas eólicas Gamesa vê o Brasil como o maior e mais atraente mercado da América Latina e aposta em uma estratégia de longo prazo para buscar a liderança no país, que deverá ter neste ano e em 2016 um pico de obras de usinas de energia movidas a vento, afirmou um executivo da empresa à Reuters.

A Abeeólica, associação que representa os investidores na fonte renovável, estima que a capacidade instalada eólica no Brasil pode chegar a 27 gigawatts até 2017, ante 6,6 gigawatts atuais, enquanto regras que favorecem o conteúdo local aqueceram o mercado doméstico de turbinas, onde se trava uma acirrada disputa entre grandes nomes do mercado global, que incluem a norte-americana GE e a francesa Alstom --que agora se uniram-- e a espanhola Acciona, que também anunciou recentemente fusão com a alemã Nordex.

"Estamos muito felizes com o Brasil... ser hoje o segundo fornecedor no mercado brasileiro nos deixa confiantes... Queremos continuar investindo por muito tempo, e queremos ser o número um no Brasil, e não o segundo", afirmou à Reuters o CEO da companhia para a América Latina, José Antonio Miranda.

A Gamesa já investiu um acumulado de 128 milhões de reais no Brasil e, em meio a um momento conturbado na economia e na política local, vê como diferencial uma carteira de clientes com grandes nomes, como o grupo industrial Votorantim e a espanhola Iberdrola.

Miranda acredita que o cenário de crise, que aumenta os custos financeiros, vai pesar sobre investidores menos robustos do setor de usinas eólicas, que devem ser alvo de nomes de maior poder de fogo, com uma possibilidade também de movimentação de estrangeiros atraídos por ativos mais baratos em moeda forte.

Na indústria de equipamentos eólicos, os reflexos do cenário se dão principalmente pela desvalorização do real, que impacta custos devido a componentes que ainda são importados e cotados em dólares e euros. Com isso, segundo Miranda, a Gamesa e clientes têm recorrido imediatamente a operações de hedge após cada venda, para travar os custos em moeda local.

O real tem perda de cerca de 32 por cento ante o dólar neste ano, o que tem elevado os preços da energia eólica nos leilões promovidos pelo governo federal para contratação de usinas.

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