Dólar sobe 1% e encosta em R$3,95, com cena externa e apreensão política no Brasil

quarta-feira, 21 de outubro de 2015 17:51 BRST
 

Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em alta pela quarta sessão consecutiva nesta quarta-feira, aproximando-se de 3,95 reais, diante do ambiente de aversão a risco nos mercados globais devido a preocupações com a saúde da economia chinesa e da apreensão dos investidores com a situação política e econômica do Brasil.

O dólar avançou 1,03 por cento, a 3,9430 reais na venda, acumulando alta de 3,75 por cento em quatro sessões.

"A sessão asiática viu outra queda das bolsas chinesas... que respingou sobre moedas emergentes, gerando perdas mais notáveis", escreveram analistas do Scotiabank em nota a clientes.

A divisa dos Estados Unidos avançava em relação a moedas como os pesos chileno e mexicano, com investidores evitando ativos de maior risco após os dois principais índices acionários chineses marcarem a maior queda em mais de um mês, em meio ao cenário mais fraco da segunda maior economia do mundo.

No Brasil, o quadro de nervosismo foi influenciado também pelas incertezas políticas. Nesta manhã, parlamentares da oposição entregaram novo pedido de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff ao presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Investidores temem que as turbulências dificultem ainda mais o ajuste fiscal e golpeiem a credibilidade do país, afastando capitais estrangeiros. A perspectiva de que o Brasil deve alterar sua meta fiscal neste ano para reconhecer um déficit primário de 85 bilhões de reais, incluindo o pagamento das "pedaladas fiscais", também pesou sobre o humor.

"Essa incerteza machuca muito o mercado. Parece que vai demorar muito até o investidor conseguir ter um panorama mais ou menos claro da situação, para poder tomar decisões com uma base mais sólida", disse o operador de uma corretora internacional.

Nesta manhã, o Banco Central deu continuidade à rolagem dos swaps cambiais que vencem em novembro, vendendo a oferta total de até 10.275 contratos, equivalentes a venda futura de dólares. Até agora, a autoridade monetária já rolou 7,168 bilhões de dólares, ou cerca de 70 por cento do lote total, que corresponde a 10,278 bilhões de dólares.

Após o fechamento dos negócios, o BC anuncia sua decisão sobre a taxa básica de juros e o mercado espera que a Selic seja mantida em 14,25 por cento.