BC mantém juros e desiste de levar inflação para meta em 2016

quarta-feira, 21 de outubro de 2015 23:03 BRST
 

Por Marcela Ayres

BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve a taxa básica de juros do país em 14,25 por cento ao ano, mas jogou a toalha em relação à convergência da inflação para o centro da meta em 2016, adiando o objetivo para 2017, em meio ao cenário de indefinições fiscais e turbulências políticas no país.

Em comunicado após a reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC informou que a política monetária se manterá vigilante, o que visto por economistas como uma indicação de que os juros poderão subir, caso o cenário se deteriore.

"O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária", disse o Copom, acrescentando que "a política monetária se manterá vigilante para a consecução desse objetivo", trouxe o comunicado da decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado.

O BC vinha reforçando o objetivo de levar a inflação para o centro da meta --de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos-- no final de 2016, apesar da escalada do dólar, fiando-se principalmente na contribuição da fraqueza econômica para o arrefecimento dos preços domésticos.

"O Copom agora está mirando a convergência para a meta no horizonte relevante da política monetária, o que significa, tradicionalmente, dois anos à frente (por exemplo, 4º trimestre de 2017)", afirmou o diretor de pesquisa econômica para América Latina do Goldman Sachs, Alberto Ramos, em nota.

Na visão do economista-chefe do banco J.Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, o BC agiu certo ao mudar sua perspectiva, mantendo ao mesmo tempo a porta aberta para subir os juros ao agregar no comunicado a frase de que a política monetária vai ser vigilante.

"Com uma economia que vai cair 3 por cento ou mais esse ano e cerca de 2 por cento ou mais no ano que vem, produzir uma contração ainda maior pra gerar convergência a ferro e fogo num momento em que o grande problema não é a taxa de juros, é fiscal, seria um erro", disse Kawall.

De outubro do ano passado a julho deste ano, o BC subiu os juros em 3,25 pontos percentuais, buscando com isso combater a inflação, que em 12 meses se aproxima de 10 por cento. {nL1N12L0IO]   Continuação...

 
Presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, durante encontro anual do FMI e do Banco Mundial, em Lima 8/10/ 2015.   REUTERS/Guadalupe Pardo