Dólar recua e encosta em R$3,90 com alívio externo, após quatro altas seguidas

quinta-feira, 22 de outubro de 2015 12:05 BRST
 

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuava ante o real nesta quinta-feira, após quatro dias seguidos de avanço, refletindo o alívio nos mercados emergentes de câmbio diante de expectativas de que a política monetária continue expansionista nos Estados Unidos e a zona do euro.

Por outro lado, operadores continuavam preocupados com a situação política e econômica do Brasil. A perspectiva de que a Selic não suba no curto prazo também deixava os investidores com um pé atrás, uma vez que reduz a atratividade do país.

Às 12:04, o dólar recuava 0,59 por cento, a 3,9196 reais na venda, após acumular alta de 3,75 por cento nas quatro sessões anteriores em meio a pressões internas e externas.

"O dólar subiu bastante nos últimos dias e hoje o cenário externo está um pouco mais tranquilo, é de se esperar que o mercado aqui também fique um pouco mais sossegado", disse o operador de uma corretora internacional.

Uma rodada recente de dados mistos sustentou apostas de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, não elevará os juros neste ano, enquanto declarações do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, alimentaram expectativas de que o BCE pode manter seus estímulos por mais tempo do que o previsto.

A recuperação das bolsas chinesas nesta quinta-feira também contribuía para o bom humor. Nesse contexto, o dólar tinha queda contra moedas como o peso mexicano e o rand sul-africano.

O dólar chegou a operar em alta durante a manhã, atingindo 3,9647 reais na máxima da sessão, refletindo a preocupações dos investidores com o quadro doméstico difícil, mas anulou o avanço em linha com outros mercados emergentes ao longo do discurso de Draghi.

No Brasil, porém, a moeda norte-americana seguia pressionada pelas incertezas políticas e econômicas que vêm elevando as cotações recentemente. A perspectiva de eventual processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff e a crescente deterioração das contas públicas brasileiras deixavam os investidores apreensivos.

Além disso, investidores evitavam vender dólares após o BC manter a Selic nos atuais 14,25 por cento e desistir da missão de trazer a inflação para o centro da meta no ano que vem, adiando o objetivo para 2017. Operadores entenderam a decisão como sinal de que as chances de os juros básicos voltarem a subir no curto prazo são pequenas, apesar de o BC ter prometido vigilância.   Continuação...