Dados sobre moradias e emprego nos EUA indicam força econômica razoável

quinta-feira, 22 de outubro de 2015 14:27 BRST
 

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - As vendas de moradias usadas nos Estados Unidos recuperaram-se com força em setembro e os novos pedidos de auxílio-desemprego oscilaram perto das mínimas em 42 anos na semana passada, indicando fundamentos sólidos mesmo em meio a uma economia global fraquejante.

Os dados fortes desta quinta-feira sobre o mercado imobiliário e o emprego podem manter a porta aberta para uma alta de juros pelo Federal Reserve, banco central norte-americano, até o fim do ano.

"O mercado foi um pouco apressado demais para descartar uma alta de juros em dezembro. O que estamos vendo nos dados é que o quadro doméstico parece forte e acredito que é isso que o Fed vai monitorar de perto", disse o economista para os EUA do Standard Chartered Thomas Costerg.

A Associação Nacional de Corretores informou que as vendas de moradias usadas aumentaram 4,7 por cento, para uma taxa anual de 5,55 milhões de unidades no mês passado, quase anulando o declínio de agosto.

O fortalecimento do mercado imobiliário está elevando o patrimônio das famílias, provocando um ritmo robusto de gastos do consumidor. Por sua vez, a demanda doméstica forte está ajudando a amortecer o baque à economia representado pela desaceleração do crescimento global, pelo dólar forte e por investimentos fracos no setor energético.

O crescimento também tem sido limitado por medidas das empresas para reduzir o acúmulo de estoques, deixando as estimativas para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre abaixo de 1,5 por cento em termos anualizados. A economia cresceu 3,9 por cento no segundo trimestre.

O mercado imobiliário, no entanto, segue pressionado pela falta de propriedades disponíveis para venda. Mas a alta dos preços de imóveis pode encorajar proprietários a colocarem seus imóveis no mercado.

Em outro relatório, o Departamento do Trabalho informou que os pedidos iniciais de auxílio-desemprego subiram em 3 mil, para 259 mil, em dados sazonalmente ajustados para a semana encerrada em 17 de outubro.

Ainda assim, o número permanece próximo dos níveis vistos pela última vez no fim de 1973. Foi também a 33a semana seguida em que o número de pedidos de auxílio-desemprego ficou abaixo do patamar de 300 mil, que é normalmente associado a um mercado de trabalho em fortalecimento.

Nos níveis atuais, não há muito espaço para novas quedas e o número muito baixo de demissões sugere que o mercado de trabalho continua em boas condições, apesar da recente desaceleração abrupta da criação de vagas.